Começo de ano é uma boa época pra você aproveitar e maratonar séries. E nada melhor do que algumas dicas, não é ? Por isso vou listar 10 séries de 2017 que valem muito á pena serem maratonadas nesse começo do ano. Nessa lista decidi pensar em algumas séries que não estão sendo tão comentadas ou que fogem do obvio da maioria das listas por aí e que possuem apenas uma temporada pra já serem vistas logo de uma vez. Também listarei menções honrosas. Espero que vocês gostem da lista e das recomendações.

LEGION (FX)

Criada por Noah Hawley (que também criou a incrível série Fargo), Legion trata da historia do mutante David Haller (Dan Stevens) e suas vivencias em um hospital psiquiátrico até o seu regaste por outro grupo de mutantes, eu posso dizer sem medo que Legion é a melhor serie de super herói de todos os tempos. Fugindo de todos os problemas que essas series possam enfrentar por estarem presas em formulas, Legion é completamente distante disso: surtada do melhor jeito possível, esteticamente e tecnicamente deslumbrante, com um texto inteligente, uma narrativa desafiadora, sofisticada e tão complexa quanto os seus personagens. Legion é uma série quase perfeita cheia de atuações espetaculares (em especial uma Audrey Plaza simplesmente fantástica) e que entende da melhor forma possível como pode se fazer algo especial com o sub–gênero que está lidanda.

AMERICAN VANDAL (NETFLIX):

Além de ser uma parodia de séries de “true crime” como Serial, The Jinx e Making a Murderer já teria sido o suficiente para American Vandal ser uma série tão boa, o jeito perfeitamente sagaz e preciso que ele analisa esse gênero e as suas muitas formulas mais histriônicas, aqui são ampliados de uma forma adorável para se fazer o retrato de um misterioso delinquente juvenil que desenho 27 pênis em 27 carros dos seus professores de Ensino Médio com spray. Mas o que faz American Vandal tão especial é que ele consegue te fazer conectar com aqueles personagens ao retratar a miséria pueril que corrói a vida daqueles jovens, de modo que o publico não só se interessante em saber em que desenhou aqueles pênis (o que a temporada responde, mas ou menos), mas a gente se interessa em saber o destino dos personagens, particularmente o jovem Dylan (Jimmy Tatro, ótimo), um crianção idiota que nunca cresceu mentalmente, e que está no centro das acusações. A série consegue ao mesmo tempo uma ótima sátira e um excelente drama adolescente. Palmas.

ONE DAY AT A TIME (NETFLIX):

Esse é o caso da preciosidade escondida. Aquele tipo de série que você não espera nada e te surpreende pela qualidades e todos os pontos positivos que esconde. Com produção da lenda da TV Norman Lear (que está com os seus 90 e poucos anos), One Day at a Time é um remake da sitcom de mesmo dos anos 70, sobre uma mãe divorciada (Justina Machado) criando seus dois filhos (Isabella Gomez, Marcel Ruiz) com ajuda da sua mãe (a também legendaria Rita Moreno consegue entregar cada piada da melhor forma possível não importando o quão boba ela seja) e o seu senhorio atrapalhado Schneider (Todd Grinnell), além do seu chefe (Stephen Tobolowsky). Apresentada como uma comedia de multi–câmeras tradicional com risos da plateia ao vivo, One Day at a Time prova que nenhuma formula é ultrapassada demais pra não poder ser bem usada, já que ela vai na veia de sitcoms inteligentes e socialmente conscientes e relevantes como All in the Family por exemplo, alternado habilmente as tiradas engraçadas, respostas acidas e um humor pueril com um material dramático muito questionador e complexo nos pontos que levantas sobre veteranos de guerra, gênero, imigração, religião, feminismo, abandono parental, sexo, e muito mais. Eles sabem usar o melhor de uma velha formula ao seu favor e sabem adicionar peso á essa forma o que traz um fresco para ela que é algo que há tempos não era usado. E que bom que está sendo agora.

I LOVE YOU, AMERICA (HULU):

Sarah Silverman volta á TV criando o mais original, engraçado e tocante exemplo de late–night  da atualidade. É algo tão fantástico que poucas palavras conseguem traduzir porque esse hoje em dia é o melhor e mais relevante talk show que temos. Mas é sem sombra de duvida. Assistam.

ROOM 104 (HBO):

O gênero de antologia sempre foi muito presente na televisão com séries importantes e marcos como Além da Imaginação, Alfred Hitchcock Apresenta, Tales from the Crypt, Amazing Stories, Playhouse 90, The Outer Limits, Night Gallery, entre outros, com o passar dos anos esse tipo de serie parou de ser tão feita ou estar tão em voga, mas com sucesso de produções como Black Mirror, American Horror History e American Crime Story, essas produções voltaram á “moda” digamos e Room 104 é uma dessas produções. Criada pelos irmãos Mark e Jay Duplass (que já haviam criado para a HBO a série Togetherness), Room 104 é um imenso exercício cinematográfico, no sentido de linguagem, narrativa e roteiro. Tratando sobre o que acontece em um quarto de um motel nos EUA, a série explora as vidas que passam por aquele motel em uma noite qualquer em diferentes épocas e contextos. Mudando a técnica e o roteiro de episodio pra episodio, esse é um dos maiores pontos que faz a serie ser um exercício cinematográfico tão grande, já que a fotografia ou o estilo de filmagem muda completamente de um episodio pra outro como também no roteiro vemos a serie se exercitando passando por gêneros diferentes e tendo o desafio de criar historias diferentes no mesmo espaço com fotografia diferentes, um jeito de filmar diferente e uma iluminação diferente mudando o motel até pela direção de arte. Outro destaque da série são os tipos de roteiros completamente diferentes entre si sempre com um plot twist ou uma reviravolta no final. Os episódios lembram curtas metragens e é um caso em que a limitação de espaço e historia é usada á favor do produto. Outra coisa muito legal da série e ver vários rostos conhecidos passando pela série como Philip Baker Hall, Amy Landecker, James Van Der Beek, Ross Partridge, Orlando Jones, Tony Todd, Natt Wolf, Mae Whitman, Ellen Geer, Keir Gilchrist, entre outros.

GODLESS (NETFLIX)

A caça e o conflito entre, o terror do Novo México, o temido fora da lei Frank Griffin (Jeff Daniels, genial) com Roy Goode (Jack O’Connell), um ex–membro desertor do seu bando com quem Frank mantinha uma relação de pai e filho que foi transformada em uma relação de dois inimigos mortais é a premissa de Godless. Ambiente em 1884 em Colorado, a série explora a guerra entre esses dois enquanto Roy busca refugio no rancho de Alice Fletcher (Michelle Dockery) na pequena cidade de La Belle, uma cidade em que a habitação é majotariamente feminina e que é governada por Mary Agnes McNue (Merrit Weaver, ótima). Criada por Scott Frank (roteirista de Logan, Minority Report, Irresistível Paixão, O Nome do Jogo, Anos Incríveis e outros filmes e algumas series) que roteiriza e dirige todos os episódios, Godless é um faroeste tradicional com toques de um faroeste mais “revisionista”. E é muito bom sendo isso. No que Godless acerta, Godless acerta em cheio: é lindamente filmada, usa bem as formulas clássicas do seu gênero mas também não deixa de ser criativo ao usar elas, cria personagens envolventes e bem desenvolvidos situados em um ambiente rico e consegue destacar bem o seu elenco, em especial um Jeff Daniels simplesmente espetacular em um dos melhores trabalhos e um dos mais diferentes.

CURB YOUR ENTHUSIASM (HBO):

Eu estou roubando um pouco porque essa é uma série veterana, mas acho que ela pode ser considerada aqui porque voltou depois de sete anos. E depois de todo esse tempo, Curb Your Enthusiasm retornou e o mais importante retornou á sua plena forma em sua nona temporada. O elenco continua ótimo e a trilha também é excelente, só que o mais interessante é ver como essa criação do genial Larry David continua com o mesmo humor moralmente e eticamente critico, que brinca com o constrangimento, sem busca a verdade mais pura na comedia, esquisito e o mais importante conseguindo ser totalmente hilário nesse estudo  dele mesmo como homem e como “personagem”. Vale á pena assistir a série toda até a nona temporada.

OZARK (NETFLIX):

Para não ser morto por um cartel mexicano pra qual trabalha lavando dinheiro, Marty Bird (Jason Bateman), sua esposa Wendy (Laura Linney) e seus filhos são enviados de Chicago para Ozark, uma cidade pequena, onde Marty passará á lavar dinheiro para o cartel e ainda terá que lidar com os habitantes de lá, dos mais variados tipos, incluindo a família criminosa Langmore, um bando de caipiras que entram na vida de Marty, especialmente a jovem Ruth (Julie Garner), uma menina de 19 anos que é muito mais inteligente do que parece e que desenvolve um relacionamento surpreendente com Marty e sua família. Ozark é uma dessas séries que não te conta nada de novo, a historia dela e muitas tramas dela já foram contadas um milhão de vezes, por isso é até aceitável que ela seja chamada de clichê, porém é um desses casos que o clichê dá muito certo. Com atuações brilhantes de Jason Baterman e de Julie Garner, Ozark além de um elenco muito afiado com algumas exceções, tem uma narrativa envolvente, inteligente, é incrivelmente bem dirigida (pontos para Jason Bateman, um dos diretores de alguns episódios da série) e consegue além de desenvolver bem os seus personagens fazer abordagens e entrar em temas muito inesperados.

BROCKMIRE (IFC)

O famoso locutor  de beisebol das principais Jim Brockmire (Hank Azaria, no papel da sua vida) sofre uma humilhação publica ao vivo depois de descobrir a infidelidade de sua esposa e decide recuperar  a sua vida em uma pequena cidade uma década depois e redescobre a sua vida amorosa em Jules James (Amanda Peet). O mais interessante de Brockmire é que ela uma espécie de carta de amor bem desbocada ao beisebol, e o mais legal é que você não precisar amar beisebol para se apaixonar pela série porque ela também é um retrato sobre a fama, é lindo como ela é uma série tão deliciosa e tão descarada na sua narrativa contando essas duas coisas pelos olhos de Jim. Seja por todas as frases maravilhosas que Jim solta, enquanto ingere quantidades horrivelmente grandes de drogas e álcool, ou enquanto ele vive um romance disfuncional mas muito sincero com Jules, alguém tão auto–destrutiva quanto ele, Brockmire é uma série deliciosa de se assistir do primeiro ao ultimo episodio.

MANHUNT: UNABOMBER (DISCOVERY CHANNEL):

Baseado em fatos reais e narrando a caçada do agente e perfiliador do FBI Jim Fitzgerald (Sam Worthington) para localizar um dos criminosos mais sofisticados e brilhantes da história, Ted Kaczynski (Paul Bettany, brilhante), também conhecido como Unabomber, que espalhou terror nos Estados Unidos do final da década de 70 até o meio da década de 90. Tão tecnicamente sofisticada quanto o seu vilão, Manhunt é uma série investigativa com uma qualidade invejável, tendo um elenco muito bem escalado e cheio de nomes conhecidos (nomes como Chris Noth, Jane Lynch, Jeremy Bobb, Keisha Castle-Hughes, Lynn Collins, Brían F. O’Byrne, Elizabeth Reaser, Brian d’Arcy James, Mark Duplass, entre outros), Manhunt:Unabomber segue um esquema que dá perfeitamente pra ser associado á filmes como Zodíaco, Seven, Memórias de Um Assassino ou O Homem Que Odiava as Mulheres em que temos um procedural que acompanha uma única investigação e a vida das pessoas afetadas por ela, só que nesse caso temos o ponto de vista do criminoso também e a dinâmica do criminoso com o seu perseguidor, no caso o agente do FBI. Isso faz com que Manhunt possa ser vista como uma continuação de Mindhunter já que na série da Netflix vemos os primeiros passos da psicologia pra lidar com os psicopatas e em Manhunt: Unabomber vemos o desenvolvimento da linguista forense, então dá para se fazer vários paralelos entre as duas séries, apesar das suas claras diferenças. Em duas linhas de tempo diferentes, o que mais impressiona na série é o eficiente estudo dos dois personagens centrais que ela faz, ela não quer justificar os atos do Unabomber, mas nós apresenta o lado do que se passa na cabeça dele e o mais impressionante é que a série faz com que a gente consiga entender o lado dele e veja que ele também fala verdades apesar de suas atitudes que devem ser condenadas. O legal é como no decorrer da série como a série te faz sentir pena do seu vilão e mostrar que ele foi uma vitima que se tornou um algoz, não justificando os seus atos monstruosos, mas sim explicando eles e porque ele é o que é. Uma das sacadas mais legais da série é ver como que passamos á sentir pena do vilão por enxergar esse lado e também como que com o passar tempo vamos desprezando e sentindo revelado por herói por ele se mostrar alguém cada vez obsessivo e egoísta, também retratando os paralelos entre os dois. Com uma atuação simplesmente fantástica de Paul Bettany e uma atuação surpreendentemente boa de Sam Worthington, Manhunt: Unabomber é uma das maiores surpresas de 2017.

 

MENÇÕES HONROSAS:

ALIAS GRACE (CBC TELEVISION)

 

SNEAKY PETE (AMAZON)

 

BIG MOUTH (NETFLIX)

 

GLOW (NETFLIX)

 

THE MARVELOUS MRS. MAISEL (AMAZON)

 

SHE’S GOTTA HAVE IT (NETFLIX)

 

THE GOOD FIGHT (CBS ALL ACCESS)

 

GET SHORTY (EPIX)

 

 

 

 

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