Absentia deveria ser sobre uma agente do FBI que desaparece durante a investigação de assassinatos em série e ressurge misteriosamente seis anos depois, mas é muito mais complexa do que isso. Sim, existe o mistério sobre o desaparecimento de Emily(Stana Katic) a identidade do seu sequestrador, o motivo para ter sido levada, mas o real drama que move a trama e prende quem está assistindo é outro.

Emily era uma mulher casada, feliz, com um filho pequeno e uma carreira em pleno vapor e seu sequestro colocou tudo isso em suspenso, pelo menos para ela. Seu marido seguiu em frente, se casou de novo, encontrou outra parceira e uma estranha agora é mãe do seu filho, que não a reconhece ou sequer gosta dela. A liberdade de Emily na verdade é o começo de outro pesadelo, o de ver sua vida sendo vivida por outra pessoa, de ser substituta e passar a ser um incomodo para a própria família.

 

 

Ela precisa se ajustar em um novo mundo após seis anos, mas não se encaixa por não conseguir sequer lembrar do que lhe aconteceu durante o cativeiro. Emily é uma mulher traumatizada e atormentada por algo que não sabe o que é. Ela está presa entre duas vidas sem conseguir viver nenhuma delas. E é doloroso, impossível não se apegar a sua dor. Mesmo que o episódio piloto tenha nos jogado sem nenhuma preparação no momento do seu reaparecimento. O episódio é muito eficiente em emergir o telespectador naquele ambiente tenso. Nós somos Emily, caindo em uma história nova, onde precisamos nos adaptar, conhecer os personagens, confiar em alguns e desconfiar de outros.

Stana Katic é muito boa em passar o que a personagem está sentindo, suas duvidas, medos, pavores, tristeza em se dar conta de tudo o que perdeu, raiva em ter a vida roubada, as incertezas, traumas de alguém que vê seu sequestrador em qualquer rosto e não se sente segura. Ela é uma mocinha? Sim, ela é, mas está longe de ser a mocinha fraca e veraneável que pode parecer no começo. O roteiro lhe dá muitas camadas e te faz olhar para ela com outros olhos em alguns momentos, afinal nem ela mesma sabe onde esteve, com quem e fazendo o que nos últimos seis anos. Então você sente o tempo todo que um plot twist pode ser jogado na sua cara a qualquer momento.

Mas nem mesmo a duvida que o roteiro levanta sobre a nossa protagonista é capaz de diminuir a empatia que senti com a sua história. Me imaginei em uma vida perfeita, ou, quase perfeita e ela sendo roubada de mim. As pessoas que mais amo no mundo amando outra mulher como me amavam e deveriam ainda amar. Isso me faria desistir de tudo ou me faria lutar para recuperar o que fosse possível? Não dá para assistir Absentia sem se colocar no lugar de Emily, sem se questionar ou sentir raiva das pessoas que a “esqueceram”.

 

 

Porem! Quando vemos Nick(Patrick Heusinger) mais de perto, é impossível condená-lo por ter seguido em frente.Afinal, quanto tempo um luto deve durar? Devemos esperar alguém por quanto tempo? Existe tempo certo? Foi traição se apaixonar de novo e construir outra família? O drama de Nick ao descobrir que a esposa não estava morta, mas em cativeiro enquanto ele vivia uma vidinha normal é quase tão doloroso quanto o de Emily. Ele sente que traiu Emily ao se casar de novo e que está traindo a esposa atual por todos os sentimentos por Emily que voltam com força ao reencontrá-la. Nenhum caso é preto no branco, ou fácil de julgar. Ninguém está certo e ninguém está errado nessa situação e todos os sentimentos são naturais em uma situação assim.

Não é uma série fácil de assistir, ela vai exigir do seu emocional, é um belo drama por tudo o que eu disse no texto a cima, mas pelos três episódios que já saíram e que eu já assisti posso dizer que vale a pena. Por que além do conflito familiar, da luta da protagonista ainda existe um mistério a ser resolvido. Quem levou Emily, por que, o que aconteceu, o que fizeram com ela e por que a devolveram? Plots, plots e plots.

Assistam!

 

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