Better Things é uma criação de Louis C.K. e Pamela Adlon, de Louie e isso é um puta selo de aprovação. Porem, é com um tantinho de vergonha que admito nunca ter assistido Louie. O mais perto que cheguei foi do stand-up do Louis C.K. que é sensacional de bizarro. Adoro, mas não posso usar a antiga produção dele como base ou comparação. O que na verdade pode ser um ponto positivo, pois fui pra Better Things, a nova comédia do canal FX com as expectativas sob controle.

E isso foi ótimo, por que apesar de não ter sacado tudo, por conta do episódio piloto ser curto, a estreia de Pamela Adlon a frente de uma série acordou aquela coisinha que todo seriador dentro de si, do ladinho do órgão esquerdo. Que é quando o que você está assistindo de alguma forma te atinge e você começa a prestar atenção com outros olhos.

Better Things é quase autobiográfica. Pamela Adlon emprestou muito da própria história a sua personagem como atriz e dubladora. Sam é uma atriz e dubladora com uma vida nada glamorosa que corta um dobrado para pagar as contas e criar as três filhas sozinha. Passando de testes em testes em uma carreira nada estável, sendo a unica figura paterna na vida das meninas em formação.

Até ai nada de tão impressionante quando você lê a sinopse, mas quando você assiste é pego imediatamente pela sinceridade e simplicidade na atuação, roteiro e principalmente nos diálogos. Duke, Max e Frankie são as três filhas de Sam e as personalidades são completamente diferentes uma da outra, o que acaba criando uma dinâmica própria para cada filha.

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A mais velha e adolescente é a que testa a paciência da mãe com seus rompantes. A primeira vista pensei que seria aquele clichêzão do filho adolescente e extremamente irritante, mas o dialogo do carro, onde Max pede a mãe que arranje maconha para ela e Sam pede, por favor, que a filha esconda coisas dela como qualquer adolescente é primoroso.

Assim como o relacionamento mais afetivo e inocente com a mais nova e o controverso com a filha do meio que provoca a mãe com seu posicionamento politico. São nuances tão bem colocadas durante o primeiro episódio que em poucos minutos uma identidade foi construída.

Outro ponto positivo é o fato da protagonista ser uma mulher na casa dos quarenta, madura, bem-humorada, mal-humorada, cansada, liberal, mas com o desejo de ser um bom exemplo. O primeiro episódio deixou bem claro que não será só de maternidade que Sam vai viver. Alguns flashbacks serviram pra mostrar uma relação amorosa ainda a ser explorada. Fora a busca por sexo virtual e a aula de como buscar pornografia na internet. Que cena maravilhosa!

Enfim. A sinopse de Better Things não é nenhuma coisa extraordinária, mas talvez seja nisso o ponto que a fará ser uma das melhores comédias dessa fall season. A capacidade de mostrar o dia-a-dia, situações do cotidiano de uma mulher de forma realista e natural. Bem, a protagonista feminina me fez dar play no primeiro episódio e foi esse diferencial que me fez querer ver o segundo episódio.

Assistam!

 

 

 

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