Zumbis e comédia. Combinam?

Sim, combinam e muito! Zumbilandia está ai para provar que histórias de mortos-vivos não precisam ser de terror ou dramalhões no estilo The Walking Dead. Dá pra combinar o gore de seres que comem carne com humor besteirol.

Santa Clarita Diet estrou na ultima sexta-feira e já está distorcendo o nariz de muita gente. Eu que amo histórias de zumbi estava esperando a estreia e maratonei, devorei (oh o trocadilho zumbi) os dez episódios de uma só vez.  As expectativas de assistir uma série divertida virou realidade logo no primeiro episódio. Me peguei gargalhando em cenas bizarras e extremamente nojentas.

Sheila (Drew Barrymore) e Joel (Timothy Olyphant) são dois corretores casados há vinte e cinco anos, tem uma filha adolescente, Abby e uma vidinha bem confortável e previsível. Sheila sente a vontade de ser uma mulher mais ousada, mas não tem coragem para se transformar nessa mulher e Joel gosta da normalidade de suas vidas. Está tudo certo, tudo em ordem até que um dia Sheila resolve bater as botas do nada. Ela morre por alguns segundos e simplesmente volta a vida. Antes de continuar preciso dizer que a cena da morte da Sheila é nojenta e muito engraçada. Ela faria inveja a Regan de O Exorcista fácil.

Continuando; Sheila volta à vida, quero dizer, acorda e quando Joel pensava que aquilo era um milagre na verdade foi o começo da maior zona. Sheila que está tecnicamente morta volta com uma personalidade diferente, mais espontânea, divertida, meio descontrolada e com um apetite bem peculiar por carne. Na verdade com fome de carne humana. E o resto da temporada é a família se adaptando a essa nova condição de Sheila e tentando consertar a bagunça que ela deixa no meio do caminho.

Drew Barrymore e Timothy Olyphant tem uma puta química e realmente parecem um casal casado há mais de vinte anos. A cumplicidade do casal que são dois corretores de dia e serials de noite é muito crível. Eles funcionam muito bem juntos. Drew consegue ser a zumbi mais fofa e querida que já vi, com aquela cara e personalidade de comedia romântica. Timothy que tem aquela cara de pai hot por outro lado me incomodou nos primeiros minutos, achei que ele estava meio over, só que depois entendi que no meio daquela situação surreal ele nos representa. Ele é o cara normal que do nada vira marido de uma morta-viva que leva a situação na maior tranquilidade. Os surtos dele são os nossos surtos.

Um dos pontos positivos de Santa Clarita Diet é a maneira bem dinâmica de parodiar a vida classe média americana e seus pensamentos. As piadas são pontuais e funcionam com todos os personagens, seja com o casal principal, com a filha adolescente ou com os vizinhos policiais. Destaco o personagem Eric, o vizinho adolescente e nerd e que entende como funciona um morto-vivo – zumbi é pejorativo, e vira a fonte de informações da família. O timing cômico do garoto é maravilhoso, ele teve algumas das melhores cenas da primeira temporada.

Outro destaque vai para as posições que Sheila e Joel ocupam na jornada da primeira temporada. Ela vira uma maquina de matar e ele continua o mesmo homem de subúrbio que evita conflitos. Ela não pensa duas vezes em comer um cara inteiro e ele se acha um banana por ficar com o trabalho “fácil” nos esquemas de buscar comida. É bem interessante essa troca de forças entre o casal. Talvez em outra série seria Joel o zumbi fodalhão e Sheila a esposa no suporte, mas Santa Clarita Diet não se apegou a esses “costumes” e colocou Drew com seu olhar meio angelical para morder pescoços, braços, pernas, bolas, mãos…

 

 

Mas não se engane.  A série não sabe ser só divertida e querida, as cenas de gore quando Sheila se alimenta são de embrulhar o estomago e impressionam ao mesmo tempo que passam uma rasteira em que estava achando que o clima familiar seria predominante. Drew se entregou a personagem e abocanhou membros inteiros como se fosse um prato de brigadeiro. O humor negro e bem físico de Santa Clarita é um deleite para os fãs do gênero. É preciso desapegar e embarcar no non sense que a série apresenta. E amigos, lhes digo que não é nada difícil. Ela não se leva a sério e é ai que acerta lindamente. Em um episódio você se vê abraçando aquele absurdo, assim como Sheila e Joel.

 

Assistam!

 

 

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