O episódio de número 300 de Grey’s Anatomy: “Quem vive, quem morre, quem conta sua história”, é uma verdadeira celebração saudosista criativa e emocionante. Digo criativa, pois apesar daquela sensação de volta para casa, pasmem não houveram participações especiais dos antigos atores. A receita é a seguinte: Chamem atores parecidos para interpretarem de forma metafórica personagens icônicos que de alguma forma jamais participariam da série novamente, abuse de referências, recicle a música de abertura, capture a essência das primeiras temporadas, faça sua protagonista chegar no auge de sua carreira profissional. Apesar daquela sensação de  Do it Your Self, isto é, fazer algo novo com tudo o que você tem, foi emocionante como uma poesia, não são necessárias lindas folhas, nem canetas coloridas, apenas sentimentos e algumas rimas.

O episódio se inicia além da famosa narração de Meredith, com uma pegada de introdução de filme de comédia romântica americana mostrando como estão os personagens, e o que estão fazendo. Amelia encontra Owen e Carina no apartamento dele, e é aquela situação embaraçosa. Os dois passam o episódio discutindo um caso médico. No fim das contas a insistência de Amelia em salvar o paciente que aparentemente teve uma ligação com algo que Derek sofreu foi a causa de seu salvamento e sua cura.

Três residentes parecidíssimos com Cristina Yang, George O’malley e Izzie Stevens chegam ao pronto socorro deixando Meredith, Alex, Bailey e Richard encabulados. A forma desses três rostos e nomes é algo realmente memorável, levando em conta o sucesso de Grey’s Anatomy nessas catorze temporadas se deve em parte ao carisma e humanidade dos personagens que se abstém dessa máxima de vilões e mocinhos, mas nos presenteia com personagens “vacilões”, tais como nós, cheios de qualidades e defeitos,  e como obviamente os cinco primeiros internos que ali fizeram história.

A Cristina Yang falsa era tão parecida quanto a original, mas Cristina Yang só existe uma, aliás que saudade da person da Meredith. Aquela pessoinha competitiva que cortou o cabelo de Callie, que pediu para ser sedada, que cantou Madonna e deu este conselho incrível para Meredith: “Não fique na sombra dele, ele é muito brilhante, mas não é o sol. Você que é”

 

George O’Malley, o queridinho de Bailey foi o meu primeiro personagem favorito dessa série… Aquele que fez sua primeira cirurgia solo no elevador, príncipe do trauma, “Crushiou” metade das meninas e foi crush também…É sempre bom lembrar que o filho de Bailey tem o nome de: “William George Bailey Jones” por causa de George que apoiou Miranda Bailey em seu parto.

A “sósia” de Izzie Stevens, definitivamente foi a que mais me emocionou dentre os três, mesmo com morte horrível de George, ele se foi como um herói. Cristina está fazendo o que sempre quis fazer, e  Izzie tinha simplesmente ido embora deixando um buraquinho existencial não só na vida de Alex como na série. Rever aquela moça com aqueles trejeitos foi muito especial, sem contar o momento em que Alex conversa com Jo sobre o que ela estaria fazendo agora, e ele diz que ela seria médica, teria três filhos encheria a casa com coisas de natal e faria bolinhos. (Eu chorei hahahha). Nós merecíamos uma satisfação sobre a vida de Izzie porque independente dos atores, ela era um personagem vivo, e mesmo que não houvesse a presença  Katherine Heigl, hello? Explicação offscreen serve para isso.

Arizona relembrou carinhosamente Mark Sloan e a relação com Callie e Sofia apareceu registrada em uma fotografia na parede quando Sofia volta para sua casa. Zola também teve seu momento nostálgico e disse a Maggie que queria ser neurocirurgiã como seu pai.

O relacionamento de Deluca com a nova interna tendo relações sexuais nos laboratórios do hospital foram uma analogia ao comportamento do corpo médico principalmente nas primeiras temporadas.

O ápice do episódio se deu com a tão sonhada premiação de Meredith ao Haper Avery, ela não pode ir até o local de celebração, pois preferiu “salvar” a vida da baby Yang, mas Jackson fez um emocionante discurso em homenagem a ela e recebeu o prêmio. Citou suas perdas como Derek, Lexie e sua mãe e a despeito delas sua resiliência e força. Neste momento a imagem de Ellis Grey apareceu na galeria, orgulhosa da filha.

Em suma o episódio 300 foi uma homenagem aos cinco primeiros internos do Seatle Grace que ali contaram e contam sua história, no entanto houve diversas menções Derek, Mark, Lexie, Callie até o Burk foi citado quando Meredith perguntou ao Owen se a baby Cristina parecia com a original, ela disse: “Vou mandar uma foto ao Burk e perguntar a ele”. Não vou mentir eu esperava uma certa menção a minha  queridíssima e de muitos também, Addison Montgomery (por isso você que é jovem crie cachorros, não crie expectativas) Isso definitivamente me trouxe certo desapontamento, e eu entendo que ela não era uma personagem original da série como Krista Vernoff justificou em seu tweet a ausência de menções a Addie, mas é chato você ver Burk ser mencionado e Addison não, porque em um nível de relevância entre os fãs, Addison é muito mais amada. Enquanto houver Grey’s há esperança. (momento desabafo Addie fã hahaha).

Depois deste momento de celebração, nós queremos ação porque a alguns episódios as coisas estão um pouco mornas demais! Alguns personagens estão apagados outros iniciaram algum desenvolvimento que estou curiosa em saber, mas uma coisa que não sai da minha cabeça é quando Owen Hunt vai de fato amadurecer? Como um personagem com tanto foco pode ser tão chato e inflexível? Dá até certa preguiça, impressionante como toda vez que aparece é para menosprezar, mesmo que não intencionalmente a ideia de alguma mulher próxima a ele, recentemente foi a Megan, e neste último episódio com Amelia, eu fico pensando que é uma fase, mas essa fase não acaba não?

No mais, o DIY de Grey’s deu certo! Qual fanbase não ama um episódio especial cheio de amor e referências?! Este episódio em si também deixou uma sensação de fim de série, não apenas pela celebração ou pelo saudosismo, mas pelo desenvolvimento de Meredith Grey, profissionalmente ela realizou um sonho, e isso é muito impactante para a narrativa. Sabe aquela sensação de objetivo alcançado? Será que ao longo de 14 temporadas já vimos todas as nuances dessa anatomia?

 

 

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