How To Get Away With Murder terminou sua terceira temporada em um lugar bem arriscado. Era evidente para os fãs de que nunca mais a série seria a mesma depois do grande passo que foi matar um dos seus protagonistas, ainda mais um protagonista que até então parecia intocável. A série precisaria mudar e isso é sempre perigoso quando se tem um formato tão próprio, um jeito tão marcante de contar uma história.

Mas o primeiro episódio apostou em algo familiar aos fãs, como a vida miserável de Annalise Keating. De fato vimos uma Annalise muito mais forte do que a Annalise do final da terceira temporada, que havia passado por maus bocados depois da explosão da sua casa, perda de um aluno e da sua liberdade. Porem o sofrimento da nossa advogada preferida continua ali, arranhando a casca, louco para voltar a superfície e arrastá-la para o buraco que ela caiu algumas vezes nas primeiras três temporadas.

Ela está em busca de salvação, é evidente – pelo menos foi o que ficou claro neste primeiro episódio e torcemos para que aquela mulher badass volte com força total. Só que até mesmo aquela mulher era infeliz e Annalise percebe isso. Vemos nela esse entendimento, de que não era só a sua profissão ou seu casamento fracassado que a deixava amargurada, nem mesmo os assassinatos em que se envolveu e que deixaram sua vida uma bagunça e sim tudo o que vem antes. E a representação clara disso é o esforço que ela precisa fazer para conviver com sua família.

Alias, as cenas de Annalise com sua mãe são sempre maravilhosas. Elas são sempre carregadas de sentimentos, camadas e tudo pode acontecer em um simples dialogo. Ali tem amor e magoa quase na mesma dose. Estar em casa significa lidar com o passado que assombra o relacionamento com o pai, mãe, até mesmo com a irmã. O abuso sofrido na infância é uma ferida aberta que afetou tudo o que aconteceu com Annalise depois disso, que afetou o modo com que ela se relacionou com o mundo e o lugar onde ela se encontra no momento é mais uma consequência desse ato.

Perdoar a família, principalmente o pai por não perceber o que acontecia com ela é quase tão difícil quanto se perdoar, mas vemos Annalise tentando de uma maneira surpreendentemente difícil. Que é se afastando de tudo e todos, só que não para se afundar em auto-piedade, mas numa tentativa de recomeçar, de sobreviver. O episódio começa com ela reunindo os Keating 5-1 enquanto escreve uma carta para cada um. Não fica claro quais são suas intenções ou se ali existe alguma bomba prestes a ser detonada. Afinal diferente do inicio da terceira temporada não vimos o que aconteceu com cada um após a morte de Wes. Então temos que esperar enquanto vamos pouco a pouco reencontrando Laurel, Michaella, Asher e Connor.

 

 

Laurel era a personagem que eu mais queria ver. O final de temporada dela pra mim havia sido o melhor entre todos os personagens e ela ganhou uma importância enorme que provavelmente só aumentará agora. E foi estranho vê-la pela primeira vez ao lado justo do pai, o responsável pela sua desgraça. E se os encontros de Annalise com a mãe são cheios de emoção, os de Laurel com o pai são nada além de desconfortáveis e penosos. Minha surpresa ficou com a revelação que Laurel fez ao pai de que estava grávida e a nós de que havia feito um aborto. O pai falsamente se solidarizou e eu estranhei, bastante e quase soltei um “eu sabia” no momento em que ela revelou aos amigos no encontrinho com Annalise de que estava grávida de quatro meses e teria o bebê.

Entendi primeiramente que a mentira para o pai era para mantê-lo afastado durante a gestação, mas assim que ela fica sozinha quase envia uma mensagem para ele com uma pergunta que ai sim, quase me derrubou. “Por que você matou o Wes?”. Como assim ela sabe? Como ela descobriu? O que aconteceu entre a season finale e a premiere? Laurel se transformou na minha personagem preferida(depois de Annalise) na ultima temporada. Algo no modo como ela lidou com a morte do Wes fez com que eu me apegasse a sua dor. Talvez o modo como ela se posicionou, sem baixar a cabeça até mesmo para Annalise seja o motivo. Laurel se mostrou muito mais inteligente do que todos imaginavam e o fato dela saber que o pai foi o responsável pela morte do namorado e estar de forma bem dissimulada lidando com ele só me faz gostar ainda mais dela e torcer para a sua sobrevivência.

Michella e Asher são os dois que melhor estão sem os problemas do clubinho do assassinato. Ser um casal é o maior obstaculo na vida deles no momento. Connor e Oliver por outro lado continuam estacionados na DR mais longa que já vi na minha vida. Eles nunca, absolutamente NUNCA estão na mesma página e a relação deles baseia-se em um tentando alcançar o outro. Ver Oliver passar um episódio inteiro pressionando Connor para aceitar seu pedido de casamento me fez ter certeza de que mataram o personagem errado temporada passada. E quanto a Connor eu espero estar certa e essa ser a sua temporada boa. Não aguentarei mais uma temporada inteira daquele comportamento infantil e birrento.

Bonnie continua na contenção de danos. É ela quem tentar manter Annalise de pé, Frank vivo e as crianças juntas. E nem mesmo ela poderia prever o plot twist que Annalise causou na revelação durante o jantar. Se afastar dos alunos e deixar que eles seguissem suas vidas sem ela era o plano da Annalise e Bonnie aceitou, contanto que ela estivesse do lado certo da cerquinha. Só que Annalise resolveu que também era preciso deixar Bonnie ir e mais uma vez ela foi deixada de lado, ela que foi nada além de fidelidade tem a mesma importância dos quatro alunos que mataram o marido de Annalise. Só acho que isso não dará muito certo, pois Bonnie é a pessoa que sabe dos segredos mais sombrios, dos pecados mais… Dos crimes mesmo, de Annalise.

Ok, cada um para um lado com a chance de fazer o que quiser da vida e sem Annalise convocando a cada episódio para tentar encobrir algo que os colocaria na cadeia. Essa é a primeira vez que os personagens podem se desligar, ou tentar pelo menos, um do outro. Só que nada é tão fácil e num flashforward fomos três meses para a frente e vemos Frank, o psicólogo de Annalise(interpretado por Jimmy Smits) amparando uma Laurel desorientada no hospital que acorda sem saber o que aconteceu com seu bebê, ou, onde ele está? Deixando no ar se algo aconteceu com ele ooooou, se alguém o roubou. Um mistério meio novelão mexicano confesso, se comparado ao das outras temporadas, mas que pode mover muitos núcleos. Pois pode envolver o pai mafioso da Laurel que pode ter descoberto a gravidez ou até mesmo Annalise que mesmo buscando ajuda pode despirocar totalmente e ser derrubada pelo trauma da morte do seu bebê e de Wes.

Então esse pode não ter sido o plot mais soco na cara que a série mostrou até agora, mas a renovação, a mexida nas regras e posicionamento dos personagens faz dessa temporada que está começando a com mais possibilidades, a mais imprevisível e consequentemente a mais misteriosa. Por que se antes nós sabíamos que os personagens seriam obrigados a ficar juntos, agora eles estão livres para criar suas próprias histórias.

Deixe um comentário sobre a estreia e um palpite sobre o que realmente aconteceu com o bebê de Laurel.

PS: Desmond, o homem que Annalise conhece no avião e que chama para um encontro casual é Julius Tennono, marido de Viola Davis.

 

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