O canal abc vendeu Inumanos como algo tão especial que sequer estrearia na TV e sim nos cinemas. Então a série deveria ser tão boa que apenas uma tela grande de IMAX estaria a altura da sua produção. E o que soubemos logo que os dois primeiros episódios estrearam nos cinemas gringos era de que ela era na verdade uma grande decepção, de qualidade e existência questionáveis.

Então Inumanos chegou a sua casa, estreou definidamente e podemos confirmar. Inumanos é claramente grande demais para o canal ABC e um universo que não merecia ganhar as telas pelas mãos de Scott Buck. Pois na abertura do primeiro episódio fica evidente a tentativa de deixar Inumanos com cara de super produção e as limitações na direção de ação e principalmente de atores. Na cena vemos uma personagem fugindo de um tiroteio no meio de uma floresta no Havaí e o uso de câmera lenta tenta dar uma identidade as cenas de ação, mas o diretor se esquece do básico ao não tentar esconder o uso de dublês e você se desconecta imediatamente ao constatar que aquela pessoa de peruca(seca) correndo na chuva não se parece em nada com a atriz do take anterior. E isso em uma abertura é grave demais para deixar passar batido.

Mas então somos apresentados aos personagens principais, os que realmente importam e somos apresentados a cidade escondida de Attilan. E SENHOR! Cenários novelísticos e da década de noventa tem a mesma aparência. Os figurinos são pobres e Medusa que deveria parecer uma rainha por ser uma rainha parece uma cosplay da personagem. Deveria estar me conectando ao que estava acontecendo com a personagem, que é grave, mas minha atenção estava voltada a sua peruca, que a cada take estava de um jeito, colada em uma altura da testa, com uma textura diferente. Fiquei agradecida com a decisão de raspar a cabeça dela por que assim eu poderia me concentrar na personagem. Só que ai simpatizei com a atriz Serinda Swan, que raspou a cabeça de verdade para interpretar esse momento da Medusa.

E o plot do golpe de estado dado por Maximus que tira seu irmão Raio Negro e Medusa do trono de Attilan é tão mal construído que é impossível se importar. O roteiro apressado não dá tempo ao espectador de entender as motivações, a complexidade do momento. Ele explica em alguns diálogos no segundo episódio, mas eu preferia que a série tivesse me mostrado, preferia ver o que estava acontecendo em Attilan e entender o que se passava na cabeça de Maximus e que o levou a trair o irmão, mas preferiram colocar esse momento tão decisivo no primeiro episódio da série e ficou tudo muito superficial. Fora que tudo acontece tão rápido e o poder é tomado de maneira tão fácil que tira completamente o peso das cenas. Esqueceram de construir a tensão que a história pedia.

E onde o roteiro falhou a direção poderia ter consertado muita coisa, mas ela foi mais um fator contra a série. Roel Reine, que dirigiu os dois primeiros episódios simplesmente não sabe dirigir atores e nenhuma, digo NENHUMA atuação convence… Ok,Serinda Swan se esforça. Raio Negro é um personagem mega poderoso e mudo, suas intenções, sentimentos e emoções precisam ser transmitidos a nós pelo olhar e expressões do personagem, mas Anson Mount entrega uma atuação que beira o ridículo e parte dessa culpa é do diretor que não soube conduzir suas cenas. Sim, metade da culpa é do diretor por que Raio Negro não é o único mal interpretado. O texto que é fraquíssimo não ficaria tão ruim se as atuações não fossem tão mal direcionadas.

E algumas coisas não fazem o menor sentido. Medusa usa o cabelo quando é atacada, mas não faz nada quando Maximus está raspando sua cabeça e tirando todos os seus poderes. Karnak que pode analisar todas as situações e explorar todas as possibilidades antes de entrar em ação cai de um penhasco enquanto está descendo e se machuca depois de bater a cabeça. Gorgon que é o chefe de segurança de Attilan desce a Terra para procurar o primo e começa a desabafar com alguns humanos sobre a existência dos inumanos e a localização de Attilan um minuto depois de conhecê-los. Raio Negro que é o rei de Attilan chega a Terra e em meio episódio rouba, causa um acidente e agride policiais de forma nada discreta como se não soubesse como as coisas acontecem por aqui. Nada faz sentido.

E tudo isso passaria despercebido se Inumanos tivesse certa consistência, tanto no roteiro, quanto na direção, atuação e principalmente na produção. O valor de produção é muito baixo para o que foi prometido e não digo s[o dos efeitos especiais, mas sim na criação do universo, nada parece palpável, real e principalmente importante. A pobreza visual contribui e tira o peso narrativo dessa história que tinha tudo para ser muito boa, no minimo divertido. E ai me lembro de que o showrunner é Scott Buck, que fez a mesma coisa com Punho de Ferro, jogando o nível das séries Marvel/Netflix no chão. Lá ele se concentrou e desenvolveu mal as brigas entre Danny Rand e os primos e só falou sobre a mitologia do Punho de Ferro, não mostrou. Aqui ele nos jogou na traição de Maximus e não se preocupou em aprofundar a origem dos inumanos, a origem e identidade dos personagens. Duas histórias rasas. Infelizmente!

 

 

 

Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial
Facebook
Twitter
YouTube
INSTAGRAM