O ano de 2017 foi recheado de boas séries, com episódios maravilhosos que com certeza marcaram o ano, que ficaram na memória, mesmo depois de meses. Então resolvi, eu Roberta, fazer uma lista dos episódios que ficaram no meu coração de seriadora, que ficou na minha cabeça horas, dias e semanas depois de assistir. Infelizmente não vi todas as séries do ano, mas das muitas que vi foram esses episódios que ficaram comigo.

 

Sweet Vicious | 1.07 – Heartbreaker

 

Sweet Viciou não é só uma das injustiças de 2017, como também dona de um dos melhores episódios do ano. O episódio que me fez ter a ideia dessa lista ainda no mês de janeiro. A série que mostra duas justiceiras que caçam estupradores no campus da universidade onde estudam depois que uma delas é estuprada precisaria em algum momento explorar este acontecimento. E a série explora de forma perfeita no sétimo episódio. De forma sutil, mas forte e bem crua voltamos ao momento em que Jules foi estuprada pelo namorado da melhor amiga. A falta de trilha, a rapidez e estranheza da cena deixam tudo mais seco e chocante. A reação de Jules, sem entender direito o que tinha lhe acontecido deixou tudo mais real, ainda mais por ver o cuidado com que mostraram a sua recuperação como sobrevivente, sem receita, formula, sem prazo para acontecer e sem clichês. Você não só entende as motivações da personagem, como se solidariza com sua causa e tem certeza de estar vendo algo poderoso na TV, principalmente sendo mulher. Ter sido criada por uma fez da série algo diferente e terminei pensando como teria sido um divisor de águas ter tido uma série dessas, um episódio tão poderoso como Heartbreaker durante a minha adolescência.

Obrigada, Jenn Kaytin Robinson!

Mr. Robot | 3.05 – “eps3.4_runtime-err0r,r00”

 

Sabe quando você termina um episódio e corre para o twitter para dizer “MELHOR EPISÓDIO DO ANO”? Então, o quinto episódio da fuderosa temporada de Mr. Robot é uma obra prima da TV, é linguagem de cinema feito para a TV, se achar melhor. Chegando a um dos momentos ápices da história, um ponto crítico o episódio foi filmado de forma a parecer ter apenas um take. Ele se passa em apenas quarenta e cinco minutos e acompanha Elliot e Angela durante esse tempo durante uma manifestação e invasão ao prédio da Evil Corpo. Você acompanha Elliot antes do caos se instalar e Angela quando o caos já está instalado a sua volta. Você fica absolutamente preso ao ponto de vista dos dois, dentro da cabeça deles, a ponto de quase adivinhar cada reação dos personagens ao que está acontecendo. A trilha sonora, o jeito que a câmera passeia pelos cenários e as atuações maravilhosas de Rami Malek e Portia Doubleday são também  grandes responsáveis pela maior experiência de imersão que tive assistindo uma série em 2017. Já aguardo as listas de indicados de 2018 com “eps3.4_runtime-err0r,r00” nele.

 

Girls | 5.03 – American Bitch

 

Apesar da decepção que Lena Dunham foi em 2017, preciso confessar que um dos melhores episódios do ano para mim foi o terceiro da quinta e ultima temporada de Girls. O episódio consegue em vinte e cinco minutos explicar e demonstrar o que é abuso de poder, como ele funciona, é sutil e destrutivo para as vítimas. Terminei de assistir impactada pelo que tinha acabado de ver, impactada pelo poder da mensagem passada e absorvida por mim. Muitas vezes assédio é algo difícil de compreender, onde acontece, como acontece, com quem acontece e o roteiro focado em apenas um ambiente e dois personagens é muito feliz em mostrar sem subestimar a inteligência do publico e sem apelar, tudo com uma protagonista super consciente do assunto, mas não livre de cair na armadilha. Que triste realizar como Dunham começou e como está terminando o ano. Melhore Lena! Melhore muito!

 

The Leftovers | 3.10 – O Livro de Nora

 

The Letfovers é uma das séries mais mind blowing ever. Daquelas que em muitos momentos você não sabe direito por que está assistindo, já que não entende direito o que tá rolando. A terceira e ultima temporada veio para explicar, responder e amarrar todas as pontas que foram ficando soltas em vinte e tantos episódios. Só que não, o melhor episodio da temporada não faz parte do mega plot da série e sim o ultimo, que deixou tudo de lado e focou seu ato final nos seus protagonistas, na relação criada e construída em três temporadas. Um tema que sempre me pega foi usado aqui, o reencontro de pessoas que ainda se amam. Kevin e Nora se reencontram anos, décadas depois de se verem pela ultima vez e depois de passar por uma pequena jornada em que Nora perdoa a si mesma constatamos que o amor entre eles continua ali, maior que a culpa, as tragédias, a saudade e o tempo de separação. Lindamente filmado e brilhantemente atuado por Carrie Coon e Justin Theroux a série se encerra não de forma confusa ou épica, mas embalada por uma história de amor e mergulhada em uma sensação promissora de felicidade.

 

Dark | 1.03 – Passado e Presente

 

Dark chegou no final de 2017 e conseguiu um lugar nas listas de melhores do ano. Seu plot complexo e tenso ganhou a atenção do publico e intrigou muita gente, gerando teorias e mais teorias sobre a primeira temporada e o futuro da série. E o terceiro episódio serve para fechar o primeiro ato da temporada de forma primorosa, prendendo quem está assistindo de vez. Fomos apresentados a vários personagens e núcleos nos dois primeiros episódios, a um grande e traumático acontecimento e no final do terceiro episódio tudo e todos vão se juntando de forma incrível, embalados por Familiar da cantora Agnes Obel. Passado e presente se conectam e o que nos disseram no primeiro episódio, de que não é só o passado que influência o futuro, mas o futuro também influência o passado finalmente faz sentido. O tom grave, sério e urgente da série se intensificam no terceiro episódio, tanto que quando terminei não quis correr para o episódio seguinte, mas para rever o que tinha acabado de assistir, de tão bom.

 

Big Little Lies | 1.07 – You Get What You Need

 

Tapa na cara! Big Little Lies me deu um tapa na cara esse ano, mas vou focar no episódio que de tão bom entrou na minha humilde lista de preferidos de 2017. A season finale da até então minissérie Big Little Lies foi um fechamento, um encerramento pra uma história que não teve nenhuma pressa em se aprofundar e crescer. Cinco mulheres tão diferentes e com motivos para serem e continuarem em polos opostos se juntando contra o maior medo de toda mulher, um agressor. Não existe diferença, desavença, festinha infantil sabotada capaz de impedir uma mulher de proteger outra diante de um homem violento. Foi um plot twist maravilhoso que colocou Big Little Lies em um dos representantes femininos na TV, dentro e fora da tela.

 

Game of Thrones | 7 .07 The Dragon and the Wolf

 

Game of Thrones é uma série complexa, com um universo tão rico que algumas histórias levam anos para se completarem, para encerrar seu ciclo. E o ultimo episódio da sétima e penúltima temporada foi o passo final de várias longas jornadas. O episódio reuniu os principais personagens da série em uma cena pela primeira vez, Jon Snow, Daenerys, Cersei, Tyrion e  Jamie fizeram uma cena épica e tensa. O inverno finalmente chegou a Porto Real dando um tom de tragédia eminente. Jon e Daenerys repetiram a história do Dragão e do Lobo e iniciaram uma história de amor fadada ao fim por causa da origem de Jon Snow e seu direito real ao trono de ferro, maior desejo de Daenerys. E a guerra inevitável começou quando as forças do sul subiram em direção ao norte e o exercito dos mortos derrubou parte da Muralha para chegar ao sul. A sensação de mudança, de transição e de urgência ao final da season finale é empolgante e recompensadora.

 

This Is Us | 1.16 – Memphis

 

Comecei a ver Memphis e antes mesmo da pequena abertura de This Is Us eu já estava chorando. Tudo por que sabia que esse episódio se tratava da despedida de William, o personagem mais triste, amor da série… e sim, meu preferido. Desde a estreia sabíamos que William não sobreviveria ao final da temporada, mas nada disso me preparou, ainda mais quando a série usou um episódio inteiro para focar no passado do personagem, no reencontro dele com a própria história, na sua redenção particular ao lado de Randall. Foi de arrancar o coração do peito ver que Randall finalmente se conectou com o pai e com a própria origem ao mesmo tempo em que dava adeus a tudo isso. Foi triste e incrivelmente bonito. E levar esse momento final entre pai e filho para o Memphis, um dos berços da musica e comunidade negra americana deixou tudo ainda maior, mais rico, mais profundo e emocionante. William, o homem mais desapontado do mundo, teve seu momento, deixou sua marca na vida do filho, mesmo que em seus últimos instantes. Duvido você assistir esse episódio e não querer abraçar sua família/amigos ao final.

 

Better Things | 2.06 – Eulogy

 

Mães são programadas para apoiar, apreciar os filhos, a família e não querer nada em troca por que faz parte da obrigação de ser mãe, certo? Errado! O sexto episódio de Better Things pega num ponto muito importante na vida de toda mulher com filhos, ser valorizada. Sam se revolta quando suas filhas tratam a sua carreira com desdém, quando tudo o que ela faz é participar da vida das filhas com todo amor. Amor, suporte, carinho não é uma função do emprego “ser mãe” e a reciprocidade quando se vivem em família é muito bem vinda. Um funeral falso serve para Max, Dukie e Frankie mostrarem para Sam a importância que ela tem e faz em suas vidas. Afinal você não precisa esperar uma vida inteira e só verbalizar sobre alguém que ama depois que ela morre, é muito mais divertido dizer a ela enquanto ela finge estar morta no centro da sala e pode receber aquelas palavras, certo?

 

The Handmaid’s Tale  | 1.01 – Offred

 

The Handmaid’s Tale é a melhor série do ano e muito disso se deve ao episódio piloto, por ir contra o usual e nos jogar em uma história avançada e não no principio do mundo distópico ao qual fomos apresentados. Foi um choque ver logo de cara a jornada de Offred em uma tentativa de sobreviver em uma sociedade que tinha lhe roubado toda a liberdade e família. Elizabeth Moss também é responsável pelo sucesso do episódio piloto, nos colocando em seu lugar a cada cena, a cada violência sofrida, opressão enfrentada. The Handmaid’s Tale estreou com um episódio poderoso e nos colocou ao lado de Offred na tentativa de resgatar June, sua verdadeira identidade. Impossível terminar Offred sem sentir o soco no estomago e pular correndo para o episódio seguinte.

E para você, quais foram os melhores episódios de 2017? Quais faltaram na lista?

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