O quinto episódio da terceira temporada de Outlander veio para emocionar e esperançar a todos nós. Concentrado no núcleo de Claire (Caitriona Balfe) em Boston, podemos ver no último domingo a protogonista lidando com conflitos internos e externos e finalmente seguindo o seu destino (ou não como diria Joe) de ficar com quem realmente ama.

IDENTIDADE

Já que o episódio ficou concentrado em único núcleo, decidi separar a review de hoje nos assuntos centrais que vimos em Freedom & Whisky. Como comentei anteriormente, vários conflitos foram impostos a Claire nesse episódio, no entanto, ela não foi a única a confrontar seus problemas. Sua filha Brianna Randall (Sophie Skelton) teve que lidar com o fato de compreender quem é depois do turbilhão de notícias impactantes que recebeu na Escócia. Ao chegar em Boston, a moça sofreu com uma grande crise de identidade, o que é bem compreensível: tudo que ela achava que era verdade em sua vida simplesmente se apagou e tomou uma faceta surreal. Normal ela se questionar.

Já comentei aqui que sou bem menos implicante que o resto do fandom em relação a Brianna e/ou sua relação com Roger (Richard Renkin), inclusive acho que a personagem tem encarado todas as mudanças de sua vida com muita graciosidade. Achei incrível o diálogo dela com Roger em que Bree questiona a veracidade dos fatos históricos e como a história muda de acordo com a perspectiva de quem a conta. Isso se aplica muito à própria história dela. Gostei muito também do comentário de Roger em relação à sua fala, dizendo que isso não importa, e de quanto as histórias do pai dele o ajudou a forjar a própria identidade, o que não só incentiva Bree a pensar na vida dela, assim como, os aproxima ainda mais.

AMIZADE

Amigos e a importância das VERDADES foi outro tema deste episódio. Uma relação até então bem pouco explorada, porém de importância para Claire, é a dela com Joe Abernathy (Wil Johnson) seu melhor amigo e confidente. Joe representou um dos muitos empurrões que a Sassenach precisou para finalmente decidir o que fazer. Wil o interpreta de forma tão natural que a amizade dos dois é muito crível mesmo com o pouco tempo em tela. Mais uma dupla de inegável química! Vai fazer falta nosso querido Joe!

Se a honestidade é uma das bases mais importantes de uma amizade, sem dúvidas, foi ela que consolidou este lado da relação entre Claire e Brianna. “Chega de mentiras” elas prometeram lá nas pedras de Craigh Na Dun na segunda temporada, e mesmo havendo maior aproximação entre mãe e filha no último episódio (leia esta review aqui), ainda havia informações ocultas entre elas.

Sim, também sou do time que não curtiu nada nada ouvir Sandy (Sarah McRae) dando sermão na Claire e cobrando tempo perdido com Frank (Tobias Menzies). Achei injusto, à primeira vista, pois como bem sabemos Claire foi a primeira a sugerir o divórcio. Mas, é importante lembrar, que tal informação talvez tenha sido ocultada por Frank, e, a história a partir dos olhos de Sandy tenha uma ideia ‘vilanizada’ de Claire, a fazendo não só culpá-la por ter perdido o homem da sua vida como também jogar toda a sua frustração em cima dela. Apesar da sensação amarga que a conversa deixou na (nossa) boca de Claire, ela serviu para duas coisas: desmitificar a imagem santificadora que Brianna tinha do pai; e, principalmente, lembrar Claire que a vida é curta! Sandy perdeu o amor da sua vida pra sempre mas talvez ela ainda tenha chance de encontrá-lo!

Falando nisso, Roger foi o mensageiro que chegou na hora errada! Trazendo notícias fresquinhas sobre o paradeiro de Jamie (Sam Heughan), bastou colocar os pés em solo americano para presenciar uma discussão acalorada entre Claire e Bree. Como a própria Claire falou, parece que o rapaz é um imã pra este tipo de situação. Tenho que dar destaque aqui, aliás, para mais essa dupla dinâmica do episódio: Claire e Roger. Gosto muito da interação dos dois, e da parceria que estabeleceram em função da busca por Jamie. Mas não antes de levar seu segundo pisão em Boston, ouvindo a negativa de Claire em relação a finalmente encontrar seu amado.

FREEDOM & WHISKY

Falei no início do texto que o episódio foi marcado por conflitos internos e externos. Claire, com certeza, teve de lidar com ambos. Internamente a vontade sem fim de ver Jamie, e externamente as dificuldades de Brianna que a fizeram hesitar ao voltar o passado. Pois é aí que a amizade e confiança entre mãe e filha teve a maior prova de todas: seria Claire capaz de deixar a filha para trás? Então, de forma muito madura e até altruísta, Bree ‘libera’ a mãe seguir seu destino usando argumentos difíceis de contrariar até mesmo pela questionadora Dra Randall. A conversa reveladora entre elas foi um dos pontos altos do episódio, na qual ambas mostraram ao mesmo tempo força, fragilidade e insegurança em relação ao futuro separadas. Chorei feito criancinha. “Eu sou mais você do que qualquer um dos meus pais”, Bree finalmente achando o seu caminho, achando a pessoa que é. Se isso não é liberdade, eu não sei o que é! Encontrando a si mesma ela teve força para dar liberdade da mãe para seguir o caminho dela.

Adaptações sempre causam opiniões controversas, mas é inegável que quando se decide adaptar uma obra tão vasta quanto a de Diana Gabaldon escolhas precisam ser feitas com cuidado. Uma escolha acertada da produção da série foi optar por fazer com que Claire, diferentemente do livro em que ela compra, criasse do zero a própria roupa de heroína, cheia de bolsos secretos, e com um providencial tecido de capa de chuva (chove muito na Escócia a gente sabe!). O mais legal foi a referência pop perfeita nessa cena, a música tema da série Batman dos anos 60.

Com tudo acertado, e com as despedidas feitas, Claire partiu para a Edimburgo de 1766, cheia de dúvidas no coração, com inseguranças esperadas de quem passou vinte anos sem ver o amor, porém munida de sabedoria e experiência de uma médica do século XX. A cena da Print Shop se não é a cena é uma das mais esperadas dessa temporada, e não desapontou nem um pouco. A transição do táxi para a carruagem e o voice over de Claire ao fundo, epílogo do livro O Resgate do Mar, deram o tom de todas as emoções sentidas pela personagem: alegria, antecipação, medo, insegurança. A trilha sonora nos remete às temporadas anteriores, em que o casal estava junto, mas é interrompida pela abertura da porta, o toque do sino e a respiração ofegante e ansiosa de Claire, que congela ao ouvir a voz de Jamie depois de tanto tempo!

Freedom & Whisky é o episódio das referências, além das do pop como já mencionei, houve também uma literária, do livro de Charles Dickens, Um Conto de Natal. Ele não foi só usado como um truque inteligente de Roger para arrebatar de vez o coração de Bree, já que ele ouviu da mãe da amada ser esse o livro que ela e Frank mais leram pra ela na infância, como também é um prelúdio da cena final do episódio. O conto de Dickens mostra a história de um homem que recebe a visita de três espíritos, um do passado, um do futuro e um do presente. Claire confrontou seus fantasmas do futuro e do presente na Boston de 68, e se materializou como a fantasma de Jamie em Edimburgo, assim como o conto do escritor inglês, parada bem embaixo do lustre cheio de velas iluminando sua cabeça! Não é a toa que a reação de Jamie foi o desmaio.

Incrível o nível da temporada de Outlander até o momento em que quase nos aproximamos do mid season. Episódios bem escritos e dirigidos, mantendo o ritmo e as emoções lá em cima. Agora que o encontro mais esperado já aconteceu só veremos seus desdobramentos no dia 22/10! Até lá sigamos desmaiados que nem Jamie, hibernando nossos sentimentos até o episódio “A. Malcolm” ir ao ar!

Quer saber mais sobre Outlander? Entra lá no site Sassenachs Brasil Podcast para acompanhar análises e curiosidades sobre a série! Também fazemos PODCASTS semanais sobre os episódios. Te espero lá! 🙂

 

 

 

 

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