No (talvez) episódio mais esperado de Outlander da terceira temporada, em que um ápice de fortes emoções era muito aguardado, vimos justamente o contrário: sentimentos mais contidos e delicadeza. Dizem por aí que a expectativa é a inimiga das experiências mais completas, mas colocando isso um pouco de lado, vamos analisar esse episódio do último domingo um pouco mais de mente e coração aberto em detrimento do imenso aguardo por este momento.

INTIMIDADE E RECONEXÃO

Os produtores afirmaram,em entrevista, que queriam que o coração desse episódio fosse a intimidade e, na minha opinião, foi isso mesmo, principalmente ao optar focar mais em Claire e Jamie. A forma como o casal foi, aos poucos, se reconhecendo e se reconectando, teve uma boas doses de bom gosto e delicadeza. Bacana também foi a variação de estilos que o primeiro encontro mostrou: humor, drama, consternação e romance.

Claire (Caitriona Balfe) e Jamie (Sam Heuhghan) estavam vinte anos separados e muito aconteceu neste tempo. Se a vida já pode mudar muito em um ano imagina vinte vezes isso, então, havia muito a ser conversado e compreendido entre o casal. Muito interessante a abordagem mais tímida da atuação dos atores nas primeiros momentos, o que deu um tom bem realista à belíssima cena na Print Shop de Jamie. Timidez e estranheza eram os sentimentos mais esperados entre eles, já que não são as mesmas pessoas que um dia conheceram.

Uma amiga e leitora aqui do site (Vilma, é você mesma! rs) disse algo muito interessante a respeito da atuação de Caitriona e Sam, que gostaria de replicar aqui porque concordo muito. Cait atua usando muito o olhar e Sam usando a linguagem corporal. Ambos recursos ajudam muito em tornar crível o envelhecimento dos personagens. Não deve ser muito fácil representar alguém muito mais velho, cheio de carga e experiência de vida, mas acho que os dois o fizeram muito bem. Os óculos de Jamie e os cabelos brancos de Claire ajudam a perceber a passagem do tempo, porém isso ficou claro pela postura e atuação também.

Tenho que dar destaque à trilha sonora original neste episódio, que, ao meu ver, andava meio sumida na temporada. Ficou linda a cena do  beijo do casal com a gaita de folhe ao fundo em tom mais alto. Me emocionou muito a cena, não apenas pela música, mas também pela atuação -ambos com lágrimas nos olhos- e tom inocente e genuíno do pedido de Jamie: “Eu gostaria de beijá-la, posso?” Muito lindo!

A única leve reclamação que tenho é acerca da cena das fotos da Bree (Sophie Skelton). Inclusive, me parece ter sido essa cena que gerou mais controvérsia entre os fãs. Particularmente, ela pareceu menos dramática e um pouco apressada, minha expectativa era que Jamie iria ficar um misto de transtornado por não ter visto a filha crescer e emocionado por estar crescida e bem. No entanto, a falta desses elementos não a deixou menos bonita e significativa. Não concordo totalmente com que diz que o fato de Jamie falar de Willie, seu outro filho, ofuscou o momento família Fraser. Para mim, foi um detalhe interessante que permitiu Claire conhecer mais um pouco do novo Jamie, e aproximá-los ainda mais. Achei bom recomeçar tudo entre eles de forma bem honesta, pelo menos nesse ponto.

NOVOS E VELHOS AMIGOS

Estava todo mundo esperando o reencontro do casal pop da Escócia, mas um dos pontos altos de A.Malcolm foi outro reencontro, de Fergus (Cesar Domboy) e Claire. Tenho que registrar o quão impressionada fiquei com a atuação de Cesar, e com o quanto ele é parecido com o jovem Fergus (Romann Berrux). Realmente foi possível crer que é o menino francês adulto, e não apenas pela semelhança física. Ansiosa pelas próximas cenas dele. Quanto ao momento dele e Claire, eu adorei. Foi emocionante e terno, e mesmo sendo bem rápido, através das falas, foi possível reconhecer esse personagem tão amado: “Você se tornou um belo rapaz” disse Claire, ao que ele responde: “Sim, me tornei”. Vocês querem autoestima?

Mas Claire não se deparou apenas com rostos conhecidos.Com mais cenas rápidas – já falei que o foco do episódio seis era o casal?- porém bem feitas, ela teve a primeira interação com o já muito simpático Mr Willoughby (Gary Young), ou melhor, este não é bem o nome dele. Qualquer coisa a mais que eu falar desse diálogo é um spoiler em potencial, então, só digo que fiquem atentos ao parceiro de negócios de Jamie. Além de Yi Tien Cho, o personagem Geordie (Lorn Macdonald) também proporcionou um momento descontraído no episódio, ri muito da cena em que ele repreende Jamie na tipografia. 

Outra personagem nova para a Sra. Malcolm é madame Jeanne (Cyrielle Debreuil), que causou um certo desconforto por estar nitidamente de olho no ruivo, o que deu uma pontinha de ciúme em Claire, e reforçou a insegurança da protagonista em relação ao seu retorno repentino à vida de seu amado. É natural Claire se sentir assim, afinal de contas, tudo poderia ter acontecido, e seria mais que natural também Jamie ter seguido em frente! Sou do time que não curte muito mulheres “brigando”, mesmo que veladamente, por outro homem, contudo, acho que nesse caso o objetivo da cena foi outro: trazer à tona todas as questões delicadas e importantes a serem discutidas entre o casal para que entendessem não apenas em que pé se encontravam suas vidas, mas, principalmente, terem a chance de retomar seu relacionamento de peito aberto, sem nada mal resolvido. Esses detalhes foram muito bem postos pelo roteiro, pois graças a eles tivemos a oportunidade de assistir o que pra mim foi a melhor parte do episódio. Calma, não são SÓ as cenas de sexo hehehe

CABEÇA E CORAÇÃO, AMOR E PAIXÃO

Cabeça e coração, razão e sentimento. Classificaria dessa forma os momentos íntimos do casal. A expectativa para retomada da série com as cenas quentes, que até hoje são uma das marcas de Outlander, era muito  grande, e não nego que meu hype para revê-las era enorme. Difícil pontuar, entretanto, o quão quentes as cenas foram, e vi muito gente comparando essas às de Jamie com Geneva (Hannah James) do episódio quatro. Citando a filosofa Gloria Pires,não sou capaz de opinar a respeito dessa comparação, por achar eventos bem distintos, e posso dizer que gostei muito de todos os momentos, carnais ou verbais, entre os Frasers.

Mas se não foi o sexo, o que mais gostei então? Rá, os diálogos entre um beijo, abraço ou tirada de roupa. Desde das trocas de olhares na mesa de jantar até o aconchego pois coito na cama, nenhuma fala foi em vão. Dentre muita conversa, saliento o diálogo no qual Claire questiona Jamie se ele se apaixonou por alguém durante a separação. Escolho esta porque ela representa bem a mescla que é título deste tópico: Claire mesmo amando Jamie ainda muito, precisa ser racional e fazer a pergunta inevitável e vital para que ela possa se entregar aos seus sentimentos sem medo.Gostei que ao perguntar, ela desvia o olhar para aliança que nunca tirou de seu dedo, mostrando o objeto que configura em uma das representações universais do binômio razão e coração: razão porque firma o compromisso sério de um casal para que o mundo veja; coração porque simboliza e demonstra a profundidade dos sentimentos de um pelo o outro.

Talvez o reencontro não tenha sido tão apoteótico quanto esperávamos, mas, por outro lado, não decepcionou e cumpriu o seu dever de colocar o casal lado a lado novamente de forma madura e apaixonada. Como é de praxe, Claire e Jamie juntos, além da paixão, também é sinal de confusão, se me permitem a rima infame. A ex – senhora Randall mal pôs os pés na Escócia, e já foi ameaçada por um individuo perigoso, em seu quarto.Lamento um pouco o recurso estupro ser usado na série – na primeira temporada chegou a ficar exaustivo- embora esteja curiosa para ver os desdobramentos disso no episódio dessa semana. E lá vamos nós novamente ver as altas aventuras do casal do barulho, se me permitem outro trocadilho. A temporada teve um novo começo, e mal podemos esperar!

 

 

 

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