Depois do sexto episódio, um dos  mais aguardados da temporada, seria natural se Outlander escolhesse partir para um caminho mais tranquilo na sua sequência. Pois em Crème de Menthe, sétimo episódio da terceira temporada, temos um pouco dos dois mundos: muitos diálogos, olhares, acertos de contas, reencontros e cenas de ação dignos de filme de super herói.

DUPLAS DINÂMICAS

Vou iniciar destacando duas duplas que se formaram ao longo deste episódio, e que nos proporcionaram ótimas cenas. Já no começo, formou-se, acidentalmente, a dupla Willoughby (Gary Young) e Claire (Caitriona Balfe) quando a Sra. Malcolm toma a iniciativa de salvar o homem que há poucos minutos havia tentando investir sobre ela. Muito se questionou a respeito da atitude de Claire, inclusive o próprio Jamie (Sam Heughan).Devo dizer que me identifiquei muitíssimo com a personagem nessa atitude, eu provavelmente faria o mesmo. Acredito que em profissões que envolvem diretamente a proteção da vida e o bem estar alheio, empatia é o mínimo que se pode esperar do profissional. Por falar nessa palavra mágica, foi exatamente assim que Willoughby enxergou Claire, além de elogiar a coragem da médica. Foi um momento breve, é verdade, mas deu pra ver um pouco da alma pura do chinês e talvez o início de uma bela amizade entre ele e a Sassenach.

Chegou finalmente a hora de enaltecer a minha dupla preferida do episódio. Mas antes, devo me desculpar com todos vocês, meus queridos leitores. Semana passada cometi o erro imperdoável de omitir o nome do querido Jovem Ian (John Bell). É fato que ele apareceu pouco no episódio anterior, e apesar do breve momento, já deixou sua marca de doçura em nossos corações. Em Crème de Menthe, felizmente, conhecemos um pouco mais do caçula da família Murray, e é impossível não se apaixonar por ele! Essa escolha de cast é mais um dos acertos da produção da série, e vê-lo junto como amigo/irmão de Fergus (César Domboy) também é um dos highlights dessa temporada. Não sei em qual momento me “desmanchei” mais: no olhar fofo dele para a Bonnie Lassie lá na taverna ou quando ele cantou para ela na Print Shop. A conversa entre ele e Fergus foi incrível, e não apenas pelo tom cômico que deu ao episódio, mas também por explorar um pouco mais da relação entre esses dois e como ela dá certo. E lembrem daquilo que comentei na review passada (leia aqui): esses dois ainda vão aprontar altas aventuras em LallyBroch e além.

 

VIDA NOVA, VELHOS PROBLEMAS

Bem que o Alexander Malcolm – aka Jamie Fraser –  avisou no episódio passado: ele não é mais o homem que Claire (e nós) um dia conhecemos. Como falei na semana passada, as mudanças são compreensíveis, porém, nem tudo é justificável, sendo normal que ao ouvir determinados comentários do tipógrafo a gente se sinta incomodado e até com raiva. Apesar de sentir um arrepio na espinha ao ouvir frases como “Até prostitutas tomam cuidado para não ser vistas assim” quando se refere ao biquíni de Bree (Sophie Skelton), sabemos que um homem do século XVIII não entenderia, por mais que alguém do futuro explicasse, porque algumas coisas são como são no século XX. O que é complicado de entender,no entanto, é a atitude dele em relação ao Jovem Ian. Omitir o paradeiro do menino para os pais e julgar saber o que é melhor pra ele é difícil de apoiar. Estou com a Claire neste ponto.

Ainda assim, gosto de ver Jamie sendo reportado de forma mais humana e menos idealizada, sendo o contrário, às vezes, uma tentação dos roteiristas quando escrevem seus protogonistas. Mas se fosse assim, não seria Outlander. Nesta série, o realismo e as nuances são matéria – prima das essência de seus personagens. Cabe a nós, telespectadores, sabermos lidar com o inevitável e nos desapegarmos das imagens intocáveis que criamos. Vale até na vida real.

Um dos aspectos que mais gosto da relação entre Claire e Jamie são os conflitos que surgem tanto por diferenças de personalidade, quanto por se tratar de duas pessoas de tempos diferentes. Diferenças de personalidade que, pensando bem, estão mais pra semelhanças: ambos são teimosos e voluntariosos. Mesmo se assemelhando um ao outro, não significa que eles não se estranhem, e isso é muito bom, explico por quê. Ao mostrar que o OTP mais querido da Escócia não vive em um constante mar de rosas, os torna muito mais palpáveis e humanos. Nenhum casal, por mais que se ame, não fica de amorzinho 24/7, e ser lembrado disso na ficção, mesmo com um casal que amamos tanto, é um diferencial cativante na história de Diana Gabaldon, pois não vejo esse realismo na maioria dos casais reportados na televisão, pelo menos não que lembre, ou não com tanta acurácia.

CRÈME DE MENTHE, WHISKY E FOGO

Se semana passada vimos o fogo da paixão – talvez não para alguns- tomando conta da tela com as cenas calientes de sexo, esta semana foi o fogo real oficial. Finalmente chegamos na parte de tensão do episódio. Confesso que estava muito despreparada para assistir à tipografia pegando fogo daquele jeito. Foi de cortar o coração ver aquele local tão bonito caindo aos pedaços e tomado pelas chamas. Entretanto, esse foi momento Jamie super herói, e gostei de ter visto o lado aguerrido do nosso protagonista mais uma vez. Vocês também notaram o landing de super-homem dele?

Dizem que o fogo leva consigo os segredos, e a gente sabe que a Print Shop escondia alguns deles, o que com certeza deve desencadear problemas para o Ruivo e todos que o acompanham. Infelizmente para eles o incêndio chegou só depois de o homem cego levar consigo um dos panfletos que denunciam o lado traidor de Jamie. Porque não basta você ser contrabandista de Whisky, você tem que envolver seus parentes nas confusões também não é, Jaiminho?

Nem todo o crème de menthe do mundo seria capaz de esconder o maior segredo de todos. Aliás, o nome desse episódio foi dado justamente para elucidar esta ideia de segredos guardados à sete chaves. Jamie pode até ter se livrado do corpo do homem que vasculhou seu quarto e correr para Lallybroch fugindo de uma potencial prisão e ficar ileso: o que ele não consegue, contudo, é fugir de Claire agora, e ter escondido uma certa informação dela, certamente, não vai ser bem visto pela doutora.

Ansiosa para ver esse embate e para ver as caras de espanto dos Murray quando vislumbrarem Claire depois de todo esse tempo. Não posso deixar de mencionar, a propósito, a cena emocionante de Velho Ian (Steven Cree) reencontrando sua cunhada: se o episódio foi morno para alguns e meio chato para outros, pelo menos esta cena aqueceu o coração de todos. Belíssima atuação de Steven! Ah se tivesse Emmy para todo este elenco!

 

 

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