E parece que a boa e velha Outlander finalmente está de volta! Não que a temporada não tenha, até o momento, mostrado vários sinais de que sempre se tratou da nossa querida série.Porém, tenho que dizer que estava com saudade de Lallybroch com Claire, e das confusões e brigas do Clã Fraser – Murray. First Wife, o oitavo episódio da terceira temporada, está bem servido de momentos tensos e ternos, tal qual a Outlander- raiz típica da primeira temporada. Vamos à análise?

LAR DOCE LAR

Ah, como é bom voltar para casa, não é? Melhor ainda é dar um abraço apertado naqueles familiares que você não vê há tempos. Pena que a nossa Claire (Caitriona Balfe) não teve essa chance. Seu retorno à Lallybroch teve uma recepção mais fria que a Escócia no inverno. Jenny (Laura Donnelly) não soube disfarçar tanto a incredulidade quanto um certo desdém com o retorno repentino da cunhada, o que deixou a primeira arrasada. Mas vou me aprofundar mais sobre a relação Claire x Jenny no próximo tópico.

O retorno ao lar foi simbólico para os três personagens que fizeram a cavalgada: para Claire, como ela mesmo declarou no voice over bem no início, por mais que se sentisse em casa, muita coisa havia mudado. Para Jamie (Sam Heughan), que talvez pensara que não voltaria lá tão cedo, foi a conclusão de um ciclo da sua vida em Edimburgo. E para Jovem Ian (John Bell) foi lidar com a implacável realidade que ele detesta, na qual ainda é um menino da fazenda cujo os pais ainda esperam satisfação. Está na hora do nosso menino crescer, mas como vamos ver mais no final do episódio, talvez o pequeno Murray tenha alcançado a tão famigerada liberdade, só que com um preço bem alto.

Interessante mencionar que “Lar Doce Lar” era o titulo original do episódio, conforme os produtores Toni Graphia e Mattew B. Roberts afirmaram no vídeo de bastidores. Eles decidiram mudar já que Lallybroch de doce, ao menos no episódio 8, não tem é nada. E vamos já ver o porquê.

A CONFIANÇA É COMO UM CRISTAL …

… uma vez trincado, por mais que se concerte, ficará com marcas. Escolhi esta frase para ilustrar a relação das cunhadas Claire e Jenny, e sair em defesa da última, embora entenda o lado das duas. Conhecemos a irmã de Jamie desde a primeira temporada, e sabemos que ela não passou bons bocados na vida, mesmo tendo passado toda ela sempre naquela mesma fazenda. Jenny é, como dizem por aí, “uma casca grossa”, uma pessoa endurecida pela vida e desconfiada de nascimento. É difícil conquistá-la, ela é extremamente afetuosa com quem ama e pode ser cruel com quem despreza. Vamos lembrar que as duas não tiveram um primeiro encontro bem sucedido lá na temporada um, quando Jamie trouxe Claire para Lallybroch a primeira vez, Jenny também a tratou com certo desdém e desconfiança, afinal, se tratava de uma Sassenach do qual não se sabia bem de onde havia saído. Mas, depois de muitas coisas que passaram justas, elas conseguiram quebrar a barreira que as separava e se tonaram mais que amigas, friends, ou melhor, irmãs de verdade.

Claire passou a fazer parte do seleto hall de pessoas que Jenny amava e, principalmente, CONFIAVA. Quando “sumiu” misteriosamente por vinte anos, ela deixou um buraco no coração da cunhada. Por isso, não é de se estranhar que a recepção a ela tenho sido bem distante e fria. Claro que sabemos que a nossa protagonista voltou para o século XX por motivos de força maior, e sofreu muito também. Nós sabemos, Jenny não. Por pior que seja ver a Sra. Murray a tratando mal, acredito que ela tem motivação para tal. A relação delas, como um cristal quebrado, talvez não seja exatamente o que era, mas creio que no final elas conseguiram quebrar um pouco da casca ao redor da irmã mais velha de Jamie.

Ainda no quesito confiança, Jamie foi outro que deu uma arranhada no cristal, e nem estou falando da situação com a Claire ainda. Já comentei aqui nesse site (leia aqui) que fui contra a atitude de Jamie em relação ao Jovem Ian, quando escondeu dos pais do menino o paradeiro dele. O ruivo quebrou a confiança que a irmã e o cunhado tinham nele colocando o sobrinho em tanta confusão, e causou uma cena à la casos de família, em que quase teve que agredir o caçula dos Murray. Felizmente, não chegou a tanto. Aliás, achei a mudança em relação aos livros muito acertada pela adaptação, já que nas páginas escritas por Diana Gabaldon a agressão realmente acontece. A série não apenas evitou uma cena problemática como achou uma solução inteligente e até divertida.

Jamie pode até ter restaurado parte da confiança dos parentes, mas falhou feio com a primeira esposa ao guardar um segredo gigantesco dela. Vamos ver um pouco dos desdobramentos disso a seguir.

PRIMEIRA ESPOSA

Lembram que comentei na review do episódio 6 (leia aqui) que devíamos ficar atentos ao que Mr Willoughby (Gary Young) falou ao se despedir de Claire? Pois então, Jamie já começou omitindo sua bigamia ali mesmo, porque, na verdade, o sócio de Jamie disse a seguinte frase a ela: “Prazer em conhecê-la honorável PRIMEIRA esposa” ao que Jamie traduziu eliminando a palavra que entregaria seu segredo.

Tenho que dizer que a minha parte preferida desse episódio – não, não foi o barraco – foram os diálogos (sim, de novo eles!) entre Claire e Jamie um pouco antes da briga estourar. Achei de uma tamanha sensibilidade e até poesia as falas tanto quando Claire citou Jenny fazendo metáforas com muro e sombras, quanto quando Jamie contou sobre Adsmuir. Palmas para roteirista Joy Blake, estreante na produção, e já chegou tocando nossos corações com diálogos precisos e delicados.

Mas vamos falar sobre a briga do milênio? Pois bem, em princípio, não gostei tanto da cena, achei ela um pouco apressada e confusa. No entanto, ao assistir uma segunda vez, e depois de ouvir como foi feita a sua versão nos livros, admito que ela foi bem adaptada e manteve as emoções mistas na medida certa, a raiva, a tristeza, a frustração e até a paixão. Não me segurei e ri quando Jenny jogou aguá nos dois dando fim à confusão. A cara petrificada de Caitriona Balfe ao ouvir repetida vezes a palavra “daddy” não sairá da minha memória tão cedo.

Vocês, a essas alturas, já devem ter percebido o quanto exalto a produção de Outlander por realmente possuir muitos aspectos positivos. Contudo, tenho que chamar a atenção para algo que não gostei nesse episódio. Na minha opinião todo o contexto e as motivações concernentes à Laoghaire (Nell Hudson) só favoreceram para que ódio em relação à personagem aumentasse. Não é que não goste de personagens vilanescos ou que eles não sejam necessários, mas a série pode fazer mais que um personagem tão clichê. Creio que faltou explicar melhor, principalmente aos não-leitores, e com mais riqueza de detalhe, o que de fato se passou entre ela e Jamie e porque o casamento não deu certo. Senti falta de um flashback ou de uma fala da própria Lao defendendo seu caso e dando sua própria versão, o que, ao meu ver, a teria deixado menos caricata e unidimensional, talvez, assim, fosse possível ter alguma espécie de empatia por ela.

Se o roteiro errou nisto, acertou muito ao justificar, mesmo entre linhas meio tortas, o porquê de Jamie ter escolhido justamente esta moça para casar, mesmo ela tendo ameaçado a sua primeira esposa de morte, lembram? Pois aí que está, não foi por ela, e sim por ELAS! Joan (Layla Burns) e Marsali (Lauren Lyle) balançaram o coração dele (e os nossos!) e o nosso ruivo preferido teve a chance de, FINALMENTE, ser pai de alguém. A cena da dança foi uma das mais bonitas que já na série inteira, não apenas por evocar os sentimentos de ternura e alegria fazendo Jaiminho gargalhar novamente, como também, pelo excelente trabalho de produção e direção. Parabéns Jennifer Getzinger, diretora de First Wife, e mais uma estreante no time Outlander. Você quer série com mulheres no comando?!

E vamos para o final tenso e derradeiro desse episódio espetacular. Fiquei com o coração doendo ao ver meu Jovem Ian sendo levado por piratas, e torço para que ele fique a salvo. Antes de sofrer presenciando seu sequestro, tão impotentes quanto Claire e Jamie, tivemos mais um round de discussão entre o casal no qual a Sra. Fraser abriu o coração e se mostrou arrependida de ter retornado à vida do século XVIII. Os fãs mais fervorosos do casal do pop talvez não tenham curtido ouvir Claire questionar se eles pertencem mesmo um ao outro, mas acho o questionamento é válido sim. Ambos sacrificaram muito para ficarem juntos, e repensar o preço que devem pagar para tanto é mais do que natural.

Apesar de ter mostrado as discussões mais honestas dos Frasers até agora, First Wife também serviu para nos lembrar que, mesmo com todas as dúvidas, este casal está destinado a ficar junto sim, porém, precisam muito mais do que um puxadinho em Lallybroch para que isto aconteça: precisam de uma causa maior, de um propósito que os impulsione! Foi assim desde à batalha de Culloden até politicagens na França. Claire e Jamie possuem a missão agora de cumprir o que o titulo do terceiro livro em português já anunciava: resgatar no mar além de Jovem Ian, a si mesmos.

 

Quer saber mais sobre OUTLANDER? O blog Universo Yin faz PODCASTS semanais sobre episódios da série! Corre lá para conferir posts e podcasts sobre essa e outras séries, além de filmes, livros e música! 

 

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