Com a proximidade do final da terceira temporada de Outlander temos mais um episódio transitório, no qual o pesar e as perdas tiveram em primeiro plano, assim como, a ascensão e o protagonismo de personagens secundários. Heaven & Earth pode não ser o episódio mais primoroso da temporada 3, porém, com certeza nunca será esquecido. Vamos à análise?

CÉU E TERRA

Nesta review vou subverter a ordem do que costumo fazer sempre, e já vou começar destrinchando o título do episódio, Heaven & Earth. Essa expressão nos é conhecida, e bem utilizada em obras de ficção, para expressar o quão longe uma pessoa é capaz de ir por algo/alguém. A ideia era mostrar a pertubação de Jamie (Sam Heughan) ao, mais uma vez, se afastar do seu amor, Claire (Caitriona Balfe).

É compreensível que ele fique nervoso, perturbado, furioso e toda e qualquer característica de alguém que está desesperado. É compreensível também que ele seja um pouco escroto com as pessoas ao seu redor, de forma a depositar toda a sua frustração em alguém que está mais próximo. Mas, pessoalmente, especificamente falando das cenas dele com Fergus (César Domboy), achei que algumas falas proferidas por Jamie o descaracterizaram daquilo que estávamos acostumados de ver do personagem na série, até mesmo após os vinte anos longe de Claire, e mesmo sabendo que ele não é mais o menino pelo qual nos apaixonamos na primeira temporada.

Achei muita injusta a maneira como ele tratou o filho adotivo, e sinceramente, não consigo aceitar o Sr. Fraser sendo retratado dessa forma. Vejam bem, não acho problema personagens mostrarem seu lado mais obscuro e, com isso, ganharem mais camadas. O que me incomodou, na verdade, foi a forma como a série decidiu, nesse episódio, abordar isso. Creio que o ruivo possui sim muitas característica negativas, o que o torna mais humano e palpável, porém injustiça e burrice não seriam elas. Ele pode mentir, ser covarde, pode ser presunçoso, como já apontei em algumas reviews anteriores (leia aqui e aqui), porém acho que o diálogo poderia ter sido escrito diferentemente.

Bem, de qualquer forma, se há algo bom nessa interpelação é o desenvolvimento dos personagens Fergus e Marsali (Lauren Lyle). Bem, sobre isso, falarei mais no próximo tópico.

ASCENSÕES INESPERADAS

Antes de comentar sobre o #Fersali, vou dar destaque ao personagem que mal apareceu e já amamos: Elias Pound (Albie Marber). Elias é daqueles personagens que é impossível não ter empatia. Ele é respeitoso, honrado e querido. Ele trata a nossa heroína com muita admiração, e a ajuda. Ele é inteligente e perspicaz, mesmo com pouca idade, e ainda assim mantém a doçura de uma criança. Ele foi feito justamente para que rapidamente o amássemos e depois sofrêssemos com sua partida. Isso é umas das coisas mais brilhantes de Outlander: a capacidade de dar protagonismo a todo e qualquer personagem da série! R.I.P, Elias! Não só a Claire, mas todos nós jamais te esqueceremos!

O interessante da interação entre Claire e Elias é que ela proporcionou não só o desenvolvimento da relação em si, como dos personagens individualmente. Um conseguiu ver o melhor do outro, e eles enxergando tais aspectos, fez com que os espectadores fizessem o mesmo, tornando a amizade deles muito crível, apesar da evolução ter sido apenas em um único episódio. O roteiro acertou muito nesse ponto.

Usei a palavra ascensão como título desse tópico, porque ela foi uma das marcas de Heaven & Earth. Utilizo ascensão aqui no sentido de destaque mesmo, seja ele hierárquico, como no caso das posições que os personagens empenham ou tiveram de empenhar no navio, seja ele narrativo, me referindo aos personagem que cresceram na trama. Comentei no trecho anterior sobre a relação Fergus x Jamie e acho que ela se encacha bem nessa segunda característica.

Se foi complicado para alguns entenderem (inclusive eu) o comportamento de Jamie nesse episódio, pelo menos essa decisão de roteiro serviu para enaltecer dois personagens que adoro, e que chegaram em nossos corações para ficar: Fergus e Marsali. Essa passagem toda que os envolveu na série não ocorre nos livros, e ela foi fundamental para fomentar alguns pontos importantes de suas personalidades e de seu relacionamento. Em apenas uma cena entre os dois (bem caliente como a gente gosta!) ficou claro que eles possuem intimidade, se amam, e estão realmente dispostos a se comprometer um com o outro. Foi relevante também a forma madura como ambos lidaram com a situação que lhes foi imposta, sendo muito responsáveis e sensatos. Dez pontos para a escola Fersali!

Falando um pouco a respeito das posições hierárquicas do navio, tenho algumas considerações. Primeiro, voltando ao personagem Elias, como bem observou um leitor aqui do site (obrigada, Evio!), foi bacana ver como um menino tão jovem possuía uma posição de alto escalão no navio, e como conseguia impor respeito. Além disso, ver como alguém que começou na vida marinha tão cedo não se deixou “infectar” pelos preconceitos dos demais marinheiros, tratando Claire com devido respeito que merecia. Mais um atestado da pureza genuína do rapazinho. Segundo, como a Sra. Fraser teve de firmar o próprio terreno e vencer as adversidades de modo a conseguir realizar o seu trabalho. Muito importante a série, mesmo que de forma breve, relatar o machismo e as relações de poder no navio, e é lindo ver Claire sendo aquela personagem pela qual nos apaixonamos, deixando o seu lado mais feroz se sobressair.

É consenso que Elias deixou todo mundo triste com sua morte, porém, pelo menos, ele não foi o único amigo de Claire no Porpoise. Annekje Johansen (Chanelle de Jager), a senhorinha fofa responsável pelas cabras, foi outra maravilhosa surpresa. Ela foi amiga e braço direito de Claire, e um alívio para nossa protagonista como outro elemento feminino no navio. Quando a vi a primeira vez, não dei importância, mas achei incrível a forma como ela foi evoluindo na narrativa sendo imprescindível para resolução da fuga de Claire. Com poucas palavras, às vezes até pouco inteligíveis, ela foi uma das personagens mais proativas da trama, dando alívio cômico ao episódio tenso e pesado. Para ser solidário e empático, não se precisa de muito, muitas vezes, os gestos e os olhares bastam!

SALTO DE FÉ

Depois de uma tentativa frustada de fuga, Annekje não viu outra solução senão a mais radical de todas: o salto de fé. Esta é outra temática bacana do décimo episódio, e que acredito que pode ser interpretada bem além de seu sentido literal, e que também pode ser atribuída a mais de uma cena e personagens.

A ideia de se jogar para o desconhecido já começa no início, quando Claire é obrigada a ficar em um navio com várias pessoas estranhas. Este foi o seu primeiro salto no escuro, no qual a obrigação de médica e profissional falou mais alto. Como todas as atitudes corajosas de nossa vida, é muito mais fácil fazê-las com o apoio de amigos, e assim foi.

O conceito se estende ao capitão Leonard (Charlie Hiett) ao confiar em Claire para tomar conta dos doentes, mesmo tendo segundas intenções que descobriríamos depois. Aliás, a cena dos corpos caindo no mar com a trilha sonora solene e a oração do Pai Nosso ao fundo foi uma das bem executadas e emocionantes da série! Lembram o quanto falei sobre fé x ciência na review passada (leia aqui)? Pois o momento foi tão tocante que até a cética Dra. Fraser se rendeu e também rezou. Convenhamos que não tem como não se sensibilizar com o salto de fé mais irrevogável de todos, a morte.

Marsali e Fergus tiveram dois momentos em que deram um salto para a sorte. Primeiramente, quando confiaram no próprio bom senso e, aqui principalmente a Marsali, convenceram o capitão Reynes (Richard Dilane) a soltar Jamie só usando a persuasão verbal, e botando fé no próprio papai de que cumpria a sua palavra. Em segundo lugar, quando receberam a benção do ruivo para finalmente se casarem. Agora a história de Fersali vai começar para valer. Bom, preparados nós sabemos que eles já estão, afinal, sabemos que ambos se amam muito, ou até demais, não é, Fergus? 🙂

O décimo episódio deixou marcas indeléveis em todos nós, tenho certeza, e agora nos resta ver as consequências da decisão corajosa de Claire Fraser no próximo. Que as águas levem nossos protagonistas um para perto do outro e que novos territórios apareçam para serem desbravados.

Quer saber mais sobre OUTLANDER? O blog Universo Yin faz PODCASTS semanais sobre os episódios da série! Corre lá para conferir posts e podcasts sobre essa e outras séries, além de filmes, livros e música! 

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