Um dos mais aguardados da temporada, graças a uma certa sopa de tartaruga, o décimo primeiro episódio veio como um alívio terno e cômico após as perdas de seu antecessor. Mesmo não sendo indispensável para o desenvolvimento da trama principal, Uncharted  tornou-se um fan service inesquecível para os espectadores de Outlander.

Vamos à análise!

CONVENIÊNCIAS

Convenhamos que esse episódio abusou um bocado das conveniências de roteiro, ou seja, a estória avançou graças as inúmeras coincidências que colocaram os personagens exatamente onde os roteiristas queriam. Isso não é problema, desde que não seja usado em demasia, e Outlander não faz isso.

A primeira conveniência de Uncharted foi ,após dois dias perdida na mata desconhecida, Claire (Caitriona Balfe) desmaiar justamente na frente da Hacienda do padre Fodgen (Nick Fletcher).E que bom que conseguiu porque foi agoniante assistir à protagonista sofrendo com os perrengues de falta de aguá e comida, e sendo picada por formigas e roçada por uma cobra. Interessante perceber que a Claire tem realmente o gene de sobrevivência em seu DNA, é sempre bom lembrar que ela passou por duas guerras e que foi criada como nômade mundial pelo seu tio, e que todas essas experiências dão a ela munição para perdurar nas situações difíceis na qual ela passa como viajante do tempo.

Mesmo assim, nunca é fácil ser uma forasteira em uma terra inexplorada. Ainda que ela receba a alcunha de Sassenach por Jamie (Sam Heughan) desde a primeira temporada, voltar ao modo estrangeira nesse capítulo foi complicado e assustador. Aliás, a questão estrangeiro foi outro tema explorado pelo roteiro, que se aplicou também às vivências do Padre em Cuba, o que aproximou e criou empatia entre ele e Claire; e a Mr Willoughby (Gary Young) quando o chinês chegou a Santo Domingo. Esta última foi mais uma conveniência, porém, utilizada de forma inteligente já que serviu para justificar o perdão do padre pelo assassinato da pobre Arabela.

Conveniente também foi Jamie e seus tripulantes chegarem justamente no local em que Claire se perdeu. De tantas ilhas pela América Central, eles se reencontrarem justamente nesta foi no mínimo engraçado. Mas vamos considerar que nossos protagonistas se amam tanto e não conseguem viver longe um do outro, que o destino faz manobras absurdas para reaproximá-los. Por sinal, a cena do reencontro dos Frasers foi uma das minhas preferidas do episódio, e apesar de ser um tanto clichê, ela teve um tom tão cinematográfico e uma trilha sonora tão acertada que emocionou muito. Para mim, romance e clichê andam de mãos dadas, não acham? Com a atuação tão maravilhosa da Cait eu, sinceramente, não me importei!

“FRASER! SEU NOME É FERGUS CLAUDEL FRASER”

Lembram que semana passada (leia aqui) eu estava bem “pistola” com o Jamie pela forma como ele tratou Fergus (César Domboy) ? Pois, não é que esta semana o ruivo conseguiu me fazer esquecer e derreteu meu coração?! Ao meu ver, o casamento Fersali foi o ponto alto de Uncharted por trazer o melhor das duas características que observei neste episódio e mencionei no início do texto: o humor e a ternura.

O humor ficou por conta do padre Fodgen que, verdade seja dita, deu um show à parte! Mais uma escolha bem acertada de casting,e já mencionei várias vezes aqui o quanto a série acerta em enaltecer personagens secundários, sempre nos surpreendendo com a importância deles para a trama e com a capacidade de nos apaixonar tão rapidamente. O mesmo se estende à personagem Mamacita (Vivi Lepori). Desbocada, intensa, engraçada e, por que não, sobrevivente também, ela me conquistou tão rápido que nem me magoei de ela tratar nossa amada Claire tão mal. Até porque, como descobriríamos no jantar na fazenda do padre, ela tinha motivos para desconfiar da Sassenach.

A ternura, delicadeza, e comoção foram apresentadas lindamente na cerimônia de casamento de Fergus e Marsali (Lauren Lyle), e não só porque ambos estavam indubitavelmente apaixonados. Jamie finalmente oficializou algo que todos nós de certa forma já sabíamos: Fergus é um membro incontestável do clã Fraser. Mais que uma adoção, o gesto do marido de Claire foi um batizado, um pedido de desculpas e uma declaração de amor! O semblante do menino francês ao ouvir a declaração do pai não deixou dúvidas de que esse é um dos momentos mais bonitos e inesquecíveis da série. Jamie, eu te perdoo!

Por falar em perdão, parece que Marsali está se rendendo aos encantos da primeira esposa de seu pai. Mas antes de comentar o diálogo dela com Claire pré – casamento, gostaria de exaltar um pouco a personalidade dessa moça, dizer o quanto é inspirador ver uma jovem tão decidida e a frente de seu tempo. Acredito que ela tenha percebido essas mesmas características na Sra. Fraser, o que estabelece pontos de identificação entre as duas, e abre portas para uma relação pacífica e amistosa entre elas. “Talvez você não seja o diabo, afinal”, disse a mais nova senhora Fraser.

 

SOPA DE TARTARUGA

Enfim, chegamos no momento mais esperado por muitos fãs desde que a terceira temporada começou: a sopa de tartaruga! Quem leu os livros sabe que esse momento é uma mescla de vários sentimentos, tem pitada de humor, intensidade da paixão, é ousado e picante. Na série de TV, a cena encaixou muito bem e fechou o episódio em um tom mais leve, sem usar o já tão repetitivo recurso do cliff ranger , ou em bom português, o famoso gancho. Para mim o único defeito foi a cena ter sido rápida demais, queria mais da provocação e gracinha entre o casal. Mas cumpriu bem com a expectativa, na minha opinião.

Tenho que exaltar mais uma vez a atuação de Caitriona, ela estava excelente nessa cena, engraçada, provocadora, e crível como alguém embriagada pela sopa afrodisíaca. Também exalto, é claro, a química dela com Sam Heughan, que é infalível. Melhor casal da televisão, sim ou certeza?

Embora o episódio não tenha terminado com um gancho, ele não nos deixou menos ansiosos para ver o seguinte, em que teremos as consequências da fuga de Claire do Propoise e o paradeiro do Jovem Ian (John Bell), que, não nos esqueçamos, é o motivo pelo qual a viagem começou. Estamos ao final da terceira temporada, e eu só consigo chorar tal qual o Padre Fodgen quando encontrou sua Arabela.

Quer saber mais sobre OUTLANDER? O blog Universo Yin faz PODCASTS semanais sobre os episódios da série! Corre lá para conferir posts e podcasts sobre essa e outras séries, além de filmes, livros e música! 

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