O episódio da última semana de Outlander ressuscitou alguns fantasmas, e trouxe notícias de personagens que andavam sumidos. Caminhando para o final da temporada, The Bakra talvez não tenha surpreendido tanto quanto gostaríamos, mas promoveu encontros inusitados que jamais esqueceremos.

ESCRAVIDÃO E BARGANHA

Finalmente chegamos na Jamaica! Só a fotografia do episódio já anuncia a vivacidade do novo ambiente, pena que na questão humana o cenário não possuía tal beleza: o mercado de escravos foi uma das cenas mais marcantes que já vi na série, e é impossível não ter a mesma sensação de pesar que a Claire (Caitriona Balfe) ao passar pelo corredor de escravos aprisionados.

Gostei muito do ritmo dessas cenas e da maneira que foram dirigidas, com cuidado e frenesi. Apesar de ter sido por pouco tempo, achei muito bom terem mostrado a questão da escravidão, e a incluído na trama, embora eu tenha algumas ressalvas.

Foi bonita a atitude de Claire e Jamie (Sam Heughan) de salvarem Temeraire (Thapelo Sebogodi), porém achei um tanto estranha a cena em que o Sr. Fraser barganha a liberdade do menino para obter a ajuda dele.Sem problemas eles estabelecerem uma parceria, já que um precisava do outro. Mas usar a liberdade de alguém como moeda de troca é bem problemático, ainda mais quando uma das partes não tem escolha e está em uma situação menos privilegiada. 

FANTASMAS, SAFIRAS E PROFECIAS

Parece que o retorno da Sra. Fraser ao passado trouxe de volta alguns fantasmas e seres desaparecidos. A começar pelo lorde John Grey (David Berry). Quem me conhece sabe o quanto sou fã do governador e quanto estava ansiosa para vê-lo.Mesmo assim, acho que as mudanças em relação a esse personagem dos livros para a série o deixaram um pouco deslocado neste episódio e o reduziram a plot device, ou seja, ele estava apenas ali como mero auxílio aos personagens protagonistas, sem ter voz e história própria. Sim, LJG é um personagem coadjuvante, mas não é, com certeza, um coadjuvante qualquer.

No meu ponto de vista, na obra de Diana Gabaldon, as relações dele com Jamie e Claire foram mais bem desenvolvidas, e bem mais interessantes, pois na série a sutileza extrema teve muito mais espaço. Acho que se tivessem mantido a ideia original, o impacto do retorno dele à vida dos Frasers teria sido bem mais “babadeiro”. Não quero dar spoilers dos livros aqui, se quiserem saber mais sobre isso, me chamem nos comentários! rs De qualquer forma, a participação ativa dele na trama da profecia me surpreendeu bastante, poderia jurar que ele aparecia apenas por poucos segundos, só uma figuração de luxo. Nisto a série parece ter sido mais feliz que os livros, além de unir a esse trio a Sra. Abernathy (Lotte Verbeek). Já vou falar desse fantasminha camarada agora.

Sim, ela voltou e já chegou causando. A edição de Geillis no baile também é um ideia da série, e gostei disso. Como já mencionei, foi muito legal vê-la contracenando com os demais personagens, incluindo alguns que ainda não havia contracenado antes. Mas falarei mais da Bakra no próximo tópico, totalmente dedicado a ela.

Chegaram também diretamente da Escócia para Jamaica, e caíram de paraquedas no mesmo baile Margaret (Alison Pargeter) e Archibald Campbell (Mark Hadfield). Lembram deles em Edimburgo com a Claire no episódio 7 (leia sobre esse episódio aqui) ? Senhor Campbell afirmou que estavam a caminho das Índias Ocidentais, mas quem podia imaginar que todos se cruzariam no 12º episódio?

Lá estava a dupla de irmãos a serviço de uma escocesa que nós bem conhecemos. Apesar de se tratar de uma coincidência incrível, achei boa a maneira como eles foram adicionados à trama, especialmente a Margaret,e  como ela foi relacionada ao Mr Willoughby (Gary Young). Isso deu mais camadas de empatia e humanidade aos dois. Fez grande diferença para o plote principal? Não. Mas não pude evitar de achar uma fofura os dois juntos, e como parecem combinar.

A melhor parte das cenas do baile, ao meu ver, foi a profecia. Gosto muito quando a série nos relembra do seu lado sobrenatural, afinal de contas, ela só existe porque a nossa amada Claire atravessou as pedras e voltou ao passado, não é mesmo? Além disso, ela salvou um aspecto do qual estava muito ansiosa para ver e acho que a o roteiro deixou um pouco a desejar: o lado místico e misterioso da Geillis.

THE BAKRA

O episódio foi feito todinho em função dela, e não poderia ser diferente: a Bakra. Para quem não sabe “Bakra” é uma palavra que o escravos jamaicanos usavam para designar seus donos brancos. É isso que Geillis se tornou durante esse tempo em que esteve sumida.

Aliás, sumida para alguns, porque para muitos ela estava morta. E é aí que acho que roteiro deixou a desejar um pouco em relação à trama dela.Explico. Quem se lembra desta personagem nas temporadas anteriores? Sem sombra de dúvidas, uma das mais marcantes e enigmáticas de toda a Outlander. Portanto, seu retorno, para quem estava esperando ou não, deveria ser impactantemente inesquecível.

No entanto, o impacto ficou só na cena de abertura do episódio, na banheira de sangue. Esteticamente ela é impressionante, e uma ótima maneira de reintroduzir a personagem, além de chocar o já assustado jovem Ian (John Bell). E entendo o recurso de já apresentar a personagem de cara, já que a abertura entregaria a surpresa para os desavisados. Porém, acho que o jeito que esse retorno foi conduzido, ao longo do episódio e através dos diálogos, fico muito aquém do que deveria, muito blasé, como diria minha amiga Liv Andrade.

O diálogo em que ela conta sua trajetória à Claire foi o que mais me decepcionou.Entendo que a série talvez não tenha tido tempo de demonstrar tudo que ocorreu com ela com riqueza de detalhes, mas essa conversa é uma das mais importantes da temporada inteira, pois se trata do maior plot twist até o momento. Contudo, as falas foram bem superficiais e facilmente esquecíveis. Já comentei em uma das reviews que a expectativa é um problema (leia aqui) e eu fui traída direitinho por ela desta vez.

Outro problema para mim foi como desenvolveram o lado mais obscuro dessa personagem e a estabeleceram como vilã.  Mesmo que não seja tão novidade assim que Geillis é capaz de qualquer coisa para atingir seus objetivos, era importante evidenciar essa faceta dela com o cuidado de preservar as suas características marcantes, e não torná-la tão caricata e obvia. O que fez me apaixonar por ela foi justamente o ar de mistério que ela deixava por onde passava, entretanto, a falta de profundidade dos diálogos e forma um pouco desajeitada com que foi construído esse aspecto acabaram falhando em manter esses atributos e trazerem outros à tona. O que sobrou de sutileza e contenção com John Grey, faltou e muito para Geillis. Equilíbrio é sempre o caminho, como talvez diria seu Willoughby.

Ainda que seja o episódio pré season finale e tenha trazido algumas surpresas, The Bakra abusou da sutileza em alguns momentos e do exagero em outros, e não se tornou tão empolgante quanto deveria pela importância que tem na temporada. E, independentemente de ter terminado com a 100ª prisão de Jamie Fraser, e de forma pouco original, essa semana estaremos todos ansiosos e já saudosos pelo fim da saga dos Frasers e início de um longo hiato. Que os deuses das pedras de Craigh na Dun nos ajudem a esperar!

Quer saber mais sobre OUTLANDER? O blog Universo Yin faz PODCASTS semanais sobre os episódios da série! Corre lá para conferir posts e podcasts sobre essa e outras séries, além de filmes, livros e música! 

 

 

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