Aproveitando o hiato imposto pelo canal Starz esta semana que nos obriga a ficar de castigo esperando Outlanderresolvi lançar a análise dos dois primeiros episódios que ainda não havia feito: The Battle Joined e Surrender, respectivamente. Vamos relembrar como iniciou esta incrível terceira temporada ?

EPISÓDIO 3X01- JUNTANDO-SE À BATALHA 

Quem assistiu a segunda temporada, deve se lembrar bem o quão sofrido foi assistir a seu Season Finale, Dragonfly in Amber (A Libélula no Âmbar), já que nele se vê a fatídica separação de Claire (Caitriona Balfe) e Jamie (Sam Heughan). The Batttle Joined, a season premiere da terceira temporada, nos mostra em que pé estão nossos personagens e como continuaram suas vidas agora separados.

Batalhas, literais ou não, são sempre desgastantes física ou emocionalmente. Enquanto Jamie junta os fragmentos do que lhe resta na memória da Batalha de Culloden, Claire tenta coletar o que sobrou de si mesma depois de dois anos afastada da sua vida do século XX e de Frank (Tobias Menzies).Vi várias pessoas comparando o sofrimento de ambos protagonistas, dizendo que o que Jamie passou foi muito pior. Eu prefiro pensar, sobre isso, que o melhor é não comparar o sofrimento de ninguém, e que sofrimento é ruim por si só. Além do que, por mais que Claire tenha sido poupada por Jamie de vivenciar os acontecimentos de Culloden e não tenha participado da batalha propriamente dita, ela iniciou, neste episódio, uma batalha com ela mesma e com Frank, na tentativa de aceitar viver sem Jamie, e ter que fingir estar seguindo em frente. Você quer mais sofrimento que isso?

Diana Gabaldon, autora da série de livros que originaram a série de TV, fez questão de endereçar questões sociais importantes através de seus personagens as quais são caras à época que ela descreve. A adaptação sempre faz questão de representar esse aspecto do livro e o faz muito bem, como é o caso da posição das mulheres no pós – guerra, situação vivenciada por Claire. A cena em que ela encontra com o chefe de Frank é construída ainda antes mesmo do encontro, quando Claire ainda conversa com sua vizinha Millie, em que ela diz à Sra Randall quais são os códigos de conduta aceitos na época, o que contrasta e muito com a personalidade de Claire e com sua atitude depois em Havard. Incrível como mesmo viajando 200 anos a frente no tempo, Claire parece estar num mundo mais atrasado e obsoleto, dando até uma saudade dela no século XVIII. Mas sabemos que esta personagem não aceita tudo tão facilmente assim, e logo no segundo episódio vemos Claire sendo Claire se novo. Falaremos disso mais adiante.

Essa temporada é do Sam Heughan mesmo, com todo o respeito aos outros atores fantásticos dessa série, mas está absurdamente boa e consistente a interpretação dele, e só melhora, episódio a episódio. Neste em especial, ele quase nem fala e trabalha só com expressões do rosto, dando uma carga dramática incrível às já cenas pesadas do seu personagem. Sua interpretação me causou ao mesmo tempo agonia, tristeza, dor, sofrimento, desesperança. Jamie só queria morrer, nada mais lhe restava para lutar, viu seus amigos e familiares morrerem e seu amor ir embora. Porém, o destino tinha outros planos para o ruivo, ainda bem!

O produtor Ron Moore afirmou ter pensado em encerrar o episódio com a cena de Jamie chegando em Lallybroch, e lamento um pouco que não tenha sido assim. Se considerarmos este o episódio como o que  mais teve transições de cenas, como a da Libélula que se transpôs no rosto da Claire e que ficou belíssimo, imaginem que bacana ficaria uma transição entre o cabelo ruivinho da pequena Bree em contraste com o cabelo ruivo de Jamie? Imaginem terminarmos com  brasão da propriedade com última cena? Acho que o efeito dramático seria mais significativo. De qualquer forma, a fala da enfermeira foi um lembrete da impossibilidade de uma reconexão entre Claire e Frank. Aliás, tenho que mencionar aqui a última cena de Jack Black Randall, e da linda interpretação do Tobias, eu senti até pena do embuste na hora que ele deita a cabeça em Jamie. A fotografia desse episódio está deslumbrante também, principalmente na cena em que os personagens se embatem, com cores quentes demonstrando o fervor da batalha.

Em Outlander, a cor do passado é ruiva ou laranja. Dizem que laranja é a cor do renascimento e da esperança. Aliás, esse é um dos temas do episódio seguinte, Surrender. Vamos falar mais sobre ele agora.

EPISÓDIO 3X02 – RENDIÇÃO

O episódio anterior chamou os personagens a se juntarem a batalha e irem à luta. Já o episódio Surrender exigiu deles que soltassem suas armas ou que escolhessem outras para lutar.

Neste episódio conhecemos a segunda persona de Jamie Fraser nesta temporada, The Dunbonnet. Com intuito de se disfarçar do exército inglês, ele usa uma boina marrom para disfarçar seus notórios cabelos ruivos. O problema é que na série isto ficou esquisito, pois mesmo usando a boina, Jamie deixou a cabeleira toda a mostra, o que fez perder um pouco o sentido da coisa toda.

Apesar desta falha, achei interessante a forma como a adaptação representou essa fase do personagem. Confesso a vocês que é muito angustiante assistir às cenas de Jamie neste episódio, senti mais tristeza e pesar assistindo a série que lendo nos livros. A cara de derrota e infelicidade constantes me faz ter vontade de desistir também e de acreditar verdadeiramente que não há mais volta por cima para ele. Ponto para o Sam novamente! Impressionante o que esse ator teve de se desdobrar para interpretar cada etapa, desenvolvendo essas identidades diferentes. Emmy é pouco pra ti, meu querido.

Quem teve que dar conta também dessa fase nebulosa foi sua irmã Jenny (Laura Donnelly). Me identifico muito com essa personagem por achar ela muito realista, pé no chão, e ao mesmo tempo com uma capacidade imensa de demonstrar afeto e preocupação com a família. Falando nisso, o clã Murray é uma reunião de personagens maravilhosos: Ian (Steven Cree), Rabbie (Jamie Kennedy), o jovem Jamie (Rhys Lambert) e, claro, Fergus (Romann Berrux). Fergus é um dos meus personagens preferidos, então, não foi nada fácil assistir a sua mão sendo decepada. Fico impressionada, no entanto, com a lição admirável que ele nos dá de, mesmo em uma situação mega difícil, conseguir ser resiliente e honrado. Lição para nós e para o próprio Jamie. Foi a partir da lição de seu filho adotivo (como eu gosto de chamar) que ele passou a enxergar sua vida de uma forma mais positiva o que levou a inevitável decisão de se render em prol da família. Quer um clã mais amado que esse?

Enquanto  Jamie se rendeu às autoridades inglesas, Claire se rendeu a inelutável realidade do fracasso de seu casamento com Frank. Não que eles não tenham lutado para dar certo, a batalha, como comentamos no episódio anterior, foi iniciada. Mas ela já estava perdida antes de começar: por mais que ela se digladie para esquecer o passado, ele a mudou de forma tão inexorável que não há volta. No final, as camas separadas são análogas às armas no chão. Frank e Claire desistiram de fingir.

Esse não é meu episódio preferido da temporada, até agora, mas com certeza foi o que mais mexeu comigo e me deu incômodo, físico e emocional, ao assistir. Vamos ir à forra amanhã com o reencontro – finalmente- do milênio e deixar todas as amarguras da vida pra trás. Vem #PrintShop.

Quer saber mais sobre OUTLANDER? Entra lá no site Sassenachs Brasil Podcast para acompanhar análises e curiosidades sobre a série! Também fazemos PODCASTS semanais sobre os episódios. Te espero lá! 🙂

 

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