Sim, estamos atrasadíssimos no rolê, como se diz por aí, mas nunca é tarde demais para falar de Outlander.  No texto de hoje vamos analisar os dois últimos episódios da temporada, All Debts Paid (3×03) e Of Lost Things (3×04). Mais adiante vamos trazer textos os episódio 1 e 2 também, fique atento!!

Vamos começar!

EPISÓDIO 3X03 – TODAS AS DÍVIDAS PAGAS

Uma das coisas que mais gosto em Outlander é a capacidade que os roteiristas têm de integrar todos os núcleos a partir de uma temática específica. No terceiro episódio da terceira temporada, os escritores trabalharam com a temática de dívidas do passado que precisavam ser sanadas pelos nossos personagens de modo que pudessem seguir em frente, e recomeçar suas vidas destroçadas depois de separações forçadas e corações partidos.

BOSTON

No núcleo da protagonista Claire Fraser Randall (Caitriona Balfe) vemos vinhetas de diferentes momentos de sua vida: 1956,1958 e 1966. Independente das diferenças de tempo, percebe-se que ele não foi generoso com o relacionamento de Claire e Frank (Tobias Menzies): quanto mais os dias passam, mais os dois têm dificuldade de se entender. Se é difícil eles se entenderem, tampouco é fácil julgá-los: se de um lado temos uma Claire inconformada com a nova (velha) vida que lhe é imposta, do outro temos um Frank cansado de confiar nas promessas não cumpridas da esposa e só quer, finalmente, viver a vida ao lado de alguém que lhe ame. Notem isso, não acho Frank um santinho, acho que inclusive que ele pegou pesado em abusar da boa vontade de Claire de manter um relacionamento aberto levando a amante na porta da casa. Porém, também sou simpática ao sofrimento que deve ser estar ao lado de alguém que não te ama mais.

Um dos destaques desse núcleo é o figurino dos personagens, que é mais uma maneira encontrada pela produção da série de representar tanto a mudança das décadas como o envelhecimento dos personagens. Tudo mostrado de forma minuciosa e impecável. Aliás, essa fidelidade a cada época mostrada não se restringe a esse único aspecto e se estende a toda produção da série, desde de a ambientação, passando pela linguagem até a trilha sonora. Um primor!

A minha maior reclamação com este núcleo foi a aparição rápida do personagem Joe Abernarthy (Wil Johnson) e pouca interação dele com Claire. Mas acredito que veremos mais dele nos próximos episódios.

Dívidas pagas… Claire tinha uma grande dívida com Frank. A promessa de deixar o passado e assumir, de fato, uma nova vida a dois com ele, com certeza, foi muito custosa de ser cumprida e só pôde ser sanada com a morte dele. Considero essa relação a mais trágica dessa história. Quem diria que aquele casal apaixonado da primeira temporada terminaria assim? Outlander mostrando mais uma vez que a realidade é muito cruel, não importa quem seja, ou quais as circunstâncias. RIP Frank. Siga em frente, Claire, sem medo. Por mais difícil que a relação com seu primeiro marido tenha sido, ele sempre será seu primeiro amor.

PRISÃO DE ARDSMUIR

Pra mim essa parte foi a estrela do episódio! Aqui vemos James Fraser (Sam Heughan) pagando suas dívidas com a sociedade por se considerado um traidor da coroa após a batalha de Culloden. Assim como a de Claire, a  trajetória deste personagem não tem sido nada fácil. Depois de quase por um milagre se salvar da batalha e ficar confinado em uma caverna, no episódio 3 encontramos o protagonista preso.

Outra comprovação de que o roteiro desta série não é pouca coisa é a forma como são apresentados os desdobramentos de coisas que ocorreram em episódios e até mesmo temporadas anteriores. Temos um exemplo disso neste episódio com a reintrodução do personagem John William Grey (David Berry), que já havia aparecido na segunda temporada mais jovem e inconsequente, tentando matar Jamie pelas costas. Pois os atos desse menino de 16 anos tiveram um peso importante neste episódio e no interior. Agora ele é um Major do exército inglês e governador da prisão.

Achei interessante como o fato de ambos os personagens já se conhecerem foi trabalhado no episódio. Por terem omitido tal informação um do outro, puderam se analisar e testar até que esta fosse usada em benefício de um deles, no caso Jamie, que lembrou Grey que ele ainda não havia cumprido sua promessa totalmente. Fazendo paralelo com o tema do episódio mais uma vez, ao Jamie implorar que o major lhe tirasse a vida deu uma oportunidade  ao telespectador de conhecer quem o último é: um homem tão honrado que jamais levantaria a mão a um outro homem desarmado.

Preciso mencionar também o quanto Sam e David ficam bem juntos. Impressionante que com tão pouco tempo tenham tido tanta química! As cenas do jantar e jogo de xadrez foram umas das melhores que já na série, combinando boas atuações, diálogos bem escritos e um ótimo trabalho de jogo de câmera. Aliás, este último aspecto foi fundamental para agregar ainda mais drama e sentido à cena em que John toca na mão de Jamie. A troca de closes entre um personagem e outro permitiu os espectadores compreender quais as intenções reais de John e criar expectativa em cima da reação de Jamie. Palmas ao diretor e aos atores!

Lamentei imensamente saber que Murtagh (Duncan Lacroix) estava vivo antes da exibição do episódio. Apesar de ter ficado feliz com a notícia, a cena perdeu o peso para mim. Acredito que teria ficado mais emocionante se fosse uma surpresa. No entanto, fiquei feliz que algum aliado do Jamie das aventuras passadas pode interagir com ele nesse episódio, gostei muito do fato dos roteiristas terem usado Murtagh para reforçar a questão do patriotismo escocês. Será que vamos ver Mumu de novo?

Mencionei várias partes deste núcleo mais ainda não disse porque ele é meu preferido. Particularmente, estava muito ansiosa para conhecer o personagem John Grey, mesmo sem ter lido os livros ainda, ao ler a descrição dele no casting da terceira temporada me despertou um grande interesse nele. E devo dizer que não me decepcionei nem um pouco com o que vi. John é um lindo personagem não só por possuir características bacanas. Mas sim porque ele restaurou algo que Jamie havia perdido há muito tempo: a confiança de que mesmo em meio às adversidades uma amizade genuína é possível e a confiança nele mesmo! Agindo de forma honrosa, Grey lembrou quão honrado o próprio Jamie é, e que sim ele ainda pode fazer bom uso da própria vida. Não vejo melhor maneira de começar uma amizade.

EPISÓDIO 3X04 – SOBRE COISAS PERDIDAS

Se o episódio 3 tratou de passar uma régua nas pendências passadas dos personagens, o episódio 4 foi a hora de começar a sessão de desapego. Além de fazer as pazes com o passado, para seguir em frente, também é necessário abrir mão de certas coisas ou certas pessoas, mesmo que isso inevitavelmente te faça sofrer. E por falar nisso, lágrimas e sofrimento não faltaram neste episódio. Vamos à análise.

INVERNESS

Este foi o núcleo “detetive” deste episódio. Roger (Richard Rankin), Brianna (Sophie Skelton) e Claire, em meio a muitos papéis, livros e registros tentam encontrar o paradeiro de Jamie na história.Quando parecia tudo perdido, Claire encontra o nome de seu amado na lista de presos de Ardsmuir, o que é mais uma comprovação de que ele sobreviveu à Culloden. É nítido que tal achado enche nossa protagonista de esperança e alegria para seguir perseguindo seu fantasma.

Brianna e Roger não formam o casal preferido dos fãs e muita gente questiona a interação dos dois. Pois digo a vocês que apesar de não morrer de amores por eles, ainda consigo achar alguma doçura nesta relação.Gostei muito da forma que ambos foram mostrados, em especial Bree, por termos oportunidade de conhecer um pouco mais desta personagem na série e de entender o estágio da relação dela com a mãe. Nos primeiros episódios ficou claro que a jovem Randall tinha mais infinidade com o pai. No entanto, vemos que o muro invisível que separa mãe e filha parece se desmoronar aos poucos, graças a decisão sábia de ambas de não manter mais segredos. A forma como o conflito de Bree em, ao mesmo tempo querer que a mãe encontre seu amor perdido mas lamentar estar a perdendo justamente agora que estão se entendendo trouxe a personagem uma humanidade que achei muito legal. Sem contar que a aproximou ainda mais de Roger. Eu adorei a cena do beijo e que ela tenha sido iniciativa de Bree.

E parece que conflito de sentimentos foi uma marca deste núcleo. Apesar de ascender uma faisquinha de esperança, ao se deparar com mais uma frustração, Claire “cai na real” e decidi deixar Jamie no último lugar que o encontrou, no passado. A perda do seu grande amor forjou o que é Claire no seu presente: alguém que carrega a mágoa da perda de um amor tão intenso, mas que também tem a serenidade e maturidade para seguir em frente. Ou será? Muito curiosa para ver os desdobramentos de todos estes conflitos daqui pra frente.

HELWATER

Na Inglaterra de 1756, vemos Jamie encarando mais de uma de suas personas desta temporada: Alex Mackenzie. Disfarçado para não entregar seu passado de Jacobita,ele se mete nas intrigas de uma família aristocrata inglesa, fazendo com que sua estada na propriedade Helwater ficasse com uma marca indelével.

Confesso a vocês que estava apreensiva com a cena entre Jamie e Geneva, pois se trata de algo ultra polêmico nos livros. Felizmente, a roteirista do episódio, Toni Graphia, acertou muito a mão aqui. Não só por omitir o estupro mas também por ter feito com que esse ato desse empoderamento à personagem, tornando uma decisão dela: “Eu vim aqui por mim mesma!”. Isso e outras facetas a tornaram o novo xodó do público. De odiada nos livros a adorada nas telas. Por isso nem o fã mais purista de Outlander esperava. Ou melhor, pelo menos para maioria, pois ainda vi algum hate rolando por aí. Mesmo assim, saldo positivo. Não só acertaram na forma com a retrataram na cena de sexo, como em outros momentos do episódio: mimada? Sim. Mas temos que concordar que a situação em que ela se encontrava não era a mais confortável, pois se se casar com alguém arranjado já deve ser uma situação terrível, imagina com alguém com idade para ser seu avô! Fazendo este contraste entre alguém por vezes detestável e por vezes adorável deu a ela uma boa dose de humanidade e tornou o público mais empático. Somos todos Geneva sim ou com certeza?

Se a primeira temporada só deu Claire, e a segunda focou bastante no casal, esta é toda de Jamie, quer dizer, de Sam Heughan.Entra e sai episódio, e o rapaz entrega uma interpretação melhor que a outra. Em Of Lost Things foi, se não a melhor, uma das melhores performances dele em toda a série. É nítido o envolvimento profundo dele com seu personagem e sua história sofrida. Existe um compromisso inegável de entregar algo sincero e legítimo. Clap clap! Das muitas cenas dele, destaco as com Willie. Sam conseguiu transmitir mistos sentimentos variando da felicidade de ver o filho nascendo e crescendo, chegando a tristeza de ter que o deixar.É muito triste constatar que Jamie nunca pode ficar com nenhum de seus filhos. Ao esculpir a cobra que deixou de recordação ao pequeno nos deparamos com a galeria de pessoas que Jamie teve que dizer adeus ao longo da vida. Um tiro doeria menos.

Por falar em tiro, a cena da morte do Lorde Elsemere foi a coisa mais esquisita desse episódio. Ora se ele nunca compartilhou a cama com Geneva por que deixou para fazer escândalo só quando a criança nasceu? Entendemos que a cena era necessária, pois ao salvar seu filho, Jamie se redimiu com os Dunsany, mas que ficou mal explicado ficou. Se bem que com tantos acertos, um deslize dos roteiristas era aceitável, não é?

E para fechar, como se 55 facadas no coração não fossem suficientes, o episódio termina intercalando cenas de ambos os núcleos mostrando as perdas dos personagens que os compõe. O uso da música “A Hard Rain’s a-gonna Fall” um cover de Bob Dylan, ilustra o que cada um perdeu: Claire perdendo a esperança de reencontrar Jamie, Roger e Bree perdendo um ao outro, John perdendo Jamie e Jamie perdendo seu filho. Sem contar em Geneva que não só perdeu a inocência como a própria vida. Ainda bem que a melhor recordação dela será seu belo sozinho ao cair no posso de lama, e é claro, os lindos olhos azuis de Willie. Where have you been my blue-eyed son?

Quer saber mais sobre Outlander? Entra lá no site Sassenachs Brasil Podcast para acompanhar análises e curiosidades sobre a série! Também fazemos PODCASTS semanais sobre os episódios. Te espero lá! 🙂

 

 

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