O trailer de Pitch foi um dos meus preferidos do upfront de 2016. Sim, claro que o motivo foi ver uma mulher protagonizando sua série… de inicio, mas depois vê-la não protagonizando a série, mas a história.

Hoje em dia, ainda bem, não é mais uma novidade ver uma protagonista feminina. Ainda não é o ideal, estamos bem longe dele, mas caminhando para um cenário mais equilibrado. E um protagonista inovando e revirando um mundo dominado por homens como o esportivo, é algo novo.

Essa é a aposta de Pitch, ir onde ninguém foi ainda. A primeira mulher a ser escalada para um time da Major League de baseball. Não é sobre um time feminino e sim sobre apenas uma pessoa, uma mulher jogando entre homens, assumindo praticamente do dia para a noite o papel de representante da causa feminina, se transformando em um modelo para uma nova geração enquanto luta para ser aceita entre colegas de time e treinador.

Pitch poderia facilmente fazer um primeiro episódio de forma segura. Usando todo o repertório da jornada do herói logo de cara, mas ao em vez disso entrega um piloto mais dinâmico do que imaginei que seria e com certeza menos previsível. A abertura já mostra ao que Ginny Baker veio e a escolha de contar sua história entre passado e presente foi um acerto.

O episódio começa com Ginny no dia da sua estreia e o uso de flashbacks preenche com perfeição os buracos da sua história. Ajuda na conexão com a personagem, que foi desde pequeninha preparada e moldada para ser uma jogadora de baseball pelo pai e a entender suas motivações, de onde vem sua força, determinação e como ela chegou a aquele ponto.

De única mulher subindo de time pequeno em time pequeno a maior estrela do esporte, Ginny só tinha o sonho de ser uma jogadora, como qualquer garoto, só que sua estreia se transforma em momento histórico, o nascimento de um pensamento, de uma ideia. É a mudança que os envolvidos na indústria do esporte não querem enfrentar, não quando a roda que mantem tudo girando os beneficia e se tiver que girar para o sentido contrário pode ser que tenham que dividir tudo. Glória, dinheiro, atenção… com uma mulher.

E é um ponto sem volta para Ginny. Ela nunca conseguirá ser apenas uma jogadora, é o pacote completo ou nada. É o peso de ser a primeira mulher em um lugar desconhecido e Kylie Bunbury, que eu não conhecia até então segurou uma bola giratória bonita, pelo menos neste primeiro episódio. Ela conseguiu dosar o carisma que toda protagonista precisa ter e a força que a personagem necessita para não ter a cabeça arrancada naquele mundo, para superar a hostilidade geral.

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Mark-Paul Gosselaar ganhou o papel perfeito aqui, o do veterano que já não tem paciência para quem está começando, mas que sabe a hora certa de falar sério. Ele é Mike Lawson, o capitão do time que Ginny cai de paraquedas e com certeza se transformará em um dos membros do #TeamBaker. Apesar de toda a competição com a nova companheira de time ele enxergou o momento certo para incentivá-la. Mike será o desafio que Ginny precisa, mas sem ser um dos babacas.

Em uma das cenas, o gerente dos Padres diz ao técnico que o Padres não pode ser o time que escalou a primeira mulher e deu merda, eles precisavam arriscar e bancar a aposta. E o mesmo vale para a FOX. Que no meio de tantas discussões sobre empoderamento, representatividade na TV resolveu fazer algo que ninguém tinha pensando antes colocando uma mulher quebrando barreiras no mundo do esporte moderno, dentro de campo. Ele não poder o primeiro canal a fazer isso e estrar tudo reduzindo a produção a apenas números de audiência… Certo? Ainda mais depois de acertar em cheio em seu episódio piloto.

Assistam!

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