De tempos em tempos a mídia e público se chocam com a notícia de que alguma atriz exigiu ganhar o mesmo salário que seu companheiro de tela, tão protagonista quanto ela. Logo que a décima temporada de Arquivo-X estreou, descobrimos que Gilliam Anderson precisou lutar com a FOX pela igualdade do seu salário… não uma, mas DUAS vezes. Sim, a FOX começou Arquivo-X com dois protagonistas praticamente desconhecidos e achou que poderia economizar uma graninha no salário da protagonista feminina e em pleno 2015 (ano das negociações) achou que a atriz, que foi fiel ao show, personagem e fãs por NOVE temporadas, ao contrário de DD, que resolveu não fazer uma temporada, poderia receber metade pra ser 50% da nova temporada.

Gilliam fez a FOX passar esse carão quando divulgou estes fatos, e se na época o “Só Mais Um Episódio” existisse, ela com certeza teria recebido um post “Destaque Viola Davis”. Talvez um dia ainda receba, porque a injustiça cometida com ela só nos faz lembrar (como se fosse preciso) de que mesmo as mais bem-sucedidas e populares podem ser subestimadas e desdenhadas pela indústria que lucra absurdamente com sua imagem e talento.

Por que estou dizendo tudo isso? Bem, se você leu o título do post deve desconfiar. Ontem pipocou na mídia o desabafo de Robin Wright, a Claire Underwood de House Of Cards. Sim, dessa vez foi ela a fazer um canal passar o carão de ser visto como machista e sexista. No caso, a nossa querida NETFLIX. Robin revelou que foi necessário pressionar e ameaçar ir a público caso não tivesse seu salário igualado ao de Kevin Spacey na 4ª temporada.

“Vi estatísticas mostrando que Claire Underwood foi mais popular do que o Frank durante um certo período. Então disse: Ou me pagam o mesmo ou vou contar. E eles aceitaram pagar o valor que pagam ao Kevin.”

A necessidade da ameaça não é nenhuma surpresa e, o fato da atriz ter decidido revelar a negociação, um motivo para se comemorar. Sem essa coragem a sujeirinha continuaria a portas fechadas, na sala de executivos que contam com o medo de prejuízo tanto profissional quando financeiro das atrizes, produtoras, roteiristas… para manter o silêncio. Fazendo a roda continuar girando do jeito que sempre foi, com mulheres tão competentes quanto qualquer homem, que dão o mesmo lucro ou mais, recebendo menos. E Robin nem precisaria, mas sua defesa foi baseada em números, o que só prova o quão fodona ela é.

E caso você tenha chegado aqui pela polêmica e ache que Robin não é o rosto nos banners, não é ela a protagonista, eu lhe digo uma coisa. Uma não, duas: Um, você está sendo leviano. Dois, você precisa rever House Of Cards. Porque Robin Wright destrói como Claire Underwood e a quarta temporada é bem simbólica, ainda mais depois de saber de tudo isso. Em um momento, Claire se torna mais popular que Frank e, sem ela, não ganharia a eleição, não continuaria a ser presidente e,pra não te dar nenhum spoiler, só lhe digo que não é só a presidência que depende de Claire e sim a série como um todo.

É claro que foi preciso a atriz se sentir segura na popularidade da personagem para exigi salário igual, o que nos faz lembrar que outras atrizes que não tem ainda uma maturidade de uma Robin Wrigth se calarão para não perder o emprego. É triste! Mas esperamos que essas atrizes se inspirem e tenham força para equilibrar a indústria. Quantas séries que assistimos tem atrizes que ganham menos que atores? Talvez metade, talvez mais, talvez menos, talvez todas… E não sei vocês, mas me pergunto qual o meu papel nisso e acho, ACHO, que é primeiro dando os meus parabéns à Robin e a qualquer outra atriz que se manifeste, depois compartilhando seus momentos de coragem para que esses canais que estão de olho nos nossos gostos e audiência vejam de que lado estamos.

Robin ganha desde a 4ª temporada o mesmo que Kevin Spacey e é junto com ele produtora executiva da 5ª temporada.

 

 

 

 

 

 

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