Ontem, dia 17 de setembro de 2017, a série The Handmaid’s Tale levou os prêmios de melhor drama, melhor atriz (Elisabeth Moss), melhor atriz convidada (Alexis Bledel), melhor atriz coadjuvante (Ann Dowd), melhor roteiro (Bruce Miller) e melhor direção (Reed Morano). Essa conquista é significativa não apenas para a Hulu, plataforma de streaming que veicula a série, como também para a panorama de séries em geral, já que a produção evidencia a importância de papéis femininos de relevância e da participação de mulheres na indústria, tanto em frente como por trás das câmeras. Nesse aspecto é importante destacar também a minissérie Big Little Liesoutra estrela da noite. Sobre essa minissérie falaremos em um texto mais específico,mais adiante, aguardem!

Aproveitando, então, o ensejo, comentarei aqui cinco grandes lições que essa série me ensinou e/ou me relembrou.

#1 – DAR VALOR AS PEQUENAS COISAS

Foto: George Kraychyk/Hulu

 

Offred (Elisabeth Moss) personagem principal da série, levava uma vida comum, com seu marido, filha e trabalho, até que um belo dia o país que ela e o resto das pessoas conhecia como Estados Unidos passou a se chamar Gilead e algumas coisas mudaram: as mulheres perderam todos os seus direitos e agora aquele território passou a ser dominado por um sistema totalitário e patriarcal, comandado por religiosos da classe alta. A justificativa dessas pessoas para tomar o poder e modificar as regras do sistema foi a de que o mundo precisava ser salvo pois a natalidade havia caído drasticamente, e boa parte da população estava sumindo.

Assim, Offred e as mulheres férteis foram sequestradas e mantidas presas em um local chamado “O Centro Vermelho” no qual elas são treinadas para se tornarem “Aias”. Após o treinamento, elas são levadas às casas dos “comandantes” onde participam de uma “cerimônia” por mês, quando estão em seu período fértil, para conceberem um bebê para esta família.

Há uma crença popular que diz que a vida pode mudar a qualquer momento. Pois, essa premissa foi uma constante conforme eu assistia à série. Imagina você estar vivendo a sua vidinha, sua rotina, e de repente tudo mudar, do nada! As pessoas com que você convive desaparecem, e você passa a ter uma vida que nunca sequer podia imaginar nem em pesadelo. Por isso, é importante dar valor às pessoas e aos momentos mais simples da vida, eles podem se esvair de uma hora para outra. Pode soar clichê mas é muito verdadeiro.

 

#2 – “UNDER HIS EYE” – NUNCA SUBESTIME NENHUM TIPO DE PODER

Foto: George Kraychyk/Hulu

 

Sempre que há algum tipo de problema político, econômico ou social há pessoas que preferem não se preocupar muito com as mudanças, e há pessoas que procuram se mobilizar, da maneira que podem, na tentativa de conscientizar os demais do que está acontecendo ou pode acontecer. Independente do lado em que você está, nunca pense que o mais absurdo possível pode não acontecer. Na série, conforme já mencionado antes, com a desculpa de “vamos melhorar o mundo” e usando artifícios como a melhoria ambiental para basear a imposição da nova forma de vida, o grupo tirano conseguiu derrubar o governo, o congresso e o exército, deixando o povo sem capacidade de reação.

Sabemos que distopias apresentam versões radicais de organização social, mas mesmo assim, algumas transformações não são tão impossíveis de se transpor para vida real. Hoje mesmo, a Justiça brasileira permitiu psicólogos tratarem a homossexualidade como doença. Alguma semelhança?

 

#3 – NOLITE TE BASTARDES CARBORUNDORUM – A FORÇA INTERIOR IMPORTA

 

Em bom português, não deixe os bastardos te oprimirem! Mesmo os personagens se encontrando na pior das situações, com o emocional em frangalhos, a força interior e a vontade de sobreviver eram os escudos necessários para não perderem a esperança. As memórias da vida anterior à Gilead também têm um papel importante e servem não só como conexão com a possibilidade de retomar o tipo de vida, como também como alento quente no coração nos momentos. Sem contar nas questões de identidade e história de vida que são só acessadas pelas personagens através das lembranças. Não esqueça quem você é e quem importa para você!

 

#4 – SORORIDADE

 

Sororidade é uma palavra bastante usada ultimamente, mas nem sempre vemos exemplos dela na televisão/cinema. Esta palavra significa, explicando de forma simples, união e aliança entre as mulheres. Em The Handsmaid’s Tale ela é uma das armas de resistência das personagens. Apesar de todas as manipulações que as personagens são submetidas afim de se voltarem uma contra as outras, elas percebem, aos poucos, que a união entre elas pode ser uma ótima aliada para combater o sistema que as oprime.

 

#5 MUNDO MELHOR PRA QUEM?

 

Mudanças sociais abruptas podem ter consequências complicadas de se lidar ou podem não ser benéficas a todos. Mas até que ponto vale a pena o sacrifício? A história também nos faz refletir sobre essas questões: até que ponto vale a pena renunciar a vida de seres humanos, suas histórias e suas identidades por um bem maior?

Além dessas perguntas um outro questionamento interessante a esse respeito são as intenções reais dos que propõe tais modificações. Será que realmente é para o mundo ser melhor para todos ou só para alguns?

Se você já assistiu à série diga pra nós comentários quais outros questionamentos você pensou enquanto assistia. E se não assistiu, corra para assistir!

 

 

 

 

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