Chegou o halloween e com ele uma nova década a ser explorada em This Is Us.

Obama está em sua primeira campanha e os irmãos Pearson estão vivendo seus novos dilemas de vida adulta. E Randall é o que carrega com ele algo que já havíamos visto em sua infância. A ansiedade, a necessidade de estar no controle de cada momento. Se passaram alguns meses desde a sua primeira crise nervosa, Beth e ele estão a ponto de ser pais pela primeira vez e Randall está completamente fora de si. E não, ele não está descontrolado, ele está fora da sua zona de conforto por causa da gravidez e para alguém que sofre com o nível de ansiedade que ele sofre é como não caber no próprio corpo, não estar no controle, estar vendado em uma montanha russa sem saber o que vem a seguir, pra que lado está indo. Acreditem, ansiedade pode desencadear uma avalanche que só com muita calma, compreensão e tratamento é contida.

E Randall tem Beth, né galera?A melhor companheira ever. Ela está a ponto de ter o seu primeiro bebê, deveria ser o seu momento, mas seu marido está com problemas, então ela tem toda a compreensão de saber que apesar de difícil está fora do seu controle. E não, ela não fica babando no Randall, mimando o marido. Ela espera, pacientemente e sem levar para o pessoal. Ela espera Randall chegar a mesma página que ela. Mesmo que isso aconteça após uma conversa dele com um total estranho em uma loja qualquer. Beth melhor pessoa entre os vivos dessa série? Talvez!

A Kate dos anos dois mil está enfrentando um dilema meio parecido com o da Kate dos anos oitenta. Garotos. Ela é uma garçonete com uma vida ok, que para de vez em quando na porta da antiga casa pra pensar no pai morto enquanto se entope de comida. Quem nunca? Sorry, péssima piada. Continuando, ela conheceu um cliente gato que gosta dela, que ela gosta, mas que no fim é casado. Ou seja, uma relação unilateral, que não passará disso. Igual a relação da pequena Kate com Billy, que só pegou na mão dela no castelo do horror por que Kevin pagou dando todos os seus doces. Pobre Kate convivendo com boy lixo desde a infância.

Kevin está em Los Angeles vivendo o seu sonho de Hollywood, certo? Errado. Ele lava cabelos em um salão para viver e não faz um audição há quase um ano. Ele está frustrado com a falta de oportunidades e com a vidinha mais ou menos e nada glamorosa que pessoas normais levam. E é quando o colega dele consegue um papel antes dele que vemos seu lado negro ressurgir. Sim, por que Kevin pequeno é MINHA NOSSA SENHORA, aquela criança que você pede pra Deus nunca te dar como filho, que só reclama, implica e pode ser maldoso com o irmão. O Kevin adulto não consegue lidar com a oportunidade do amigo quando ele está na merda e simplesmente tenta roubar o papel, mas é desmascarado e forçado a lidar com sua atitude mais do que repreensível. Afinal Gwyneth Paltrow já era famosa quando roubou Shakespeare Apaixonado da Winona Ryder. Então Kevin, melhore! E o vimos se refugiar no teatro mais uma vez. Talvez esse seja o lugar para Kevin no final das contas.

E Rebecca para mim foi a personagem do episódio. Vimos sua evolução em três linhas temporais diferentes e como todas estão conectadas. Rebecca está lidando com a ansiedade do Randall nos anos oitenta assim como Beth está lidando nos anos dois mil, só que ela é a responsável por criá-lo, então tem que interferir de modo mais enérgico, passando por cima da sua vontade natural de poupá-lo demais, como Jack aponta. Ela está lá para ele na sua vida adulta quando Randall faz o parto de Beth em casa e passa por aquele momento tão incrível e transformador. Momento de superação que só pode contar com seu apoio já que agora ele é um homem adulto e vai precisar superar seus problemas sem ela.

E foi só então que percebi que Rebecca estava passando por aquilo sozinha, sem Jack. A apreensão e preocupação com o filho, a felicidade de ver a primeira neta nascer. Meu coração deu um nó com a triste realização da revelação que ela estava estava fazendo. Todas os momentos de felicidade da vida dela carregariam certa tristeza sem Jack para dividi-los. UAU! Que soco no estomago! Mas aquele momento em que voltamos a maternidade dos anos setenta, em que Rebecca está conhecendo Randall rimado com a maternidade dos anos dois mil foi o melhor momento do episódio. Rebecca dizendo para a neta que o caminho dela não havia começado agora, mas no passado, ali mesmo quando conheceu o pai dela me jogou no chão. Que texto lindo! Que atuação linda da Mandy Moore.

Rebecca não queria Randall, ela estava de luto e sofrendo, mas é impactante ver como foi com ele que ela desenvolveu sua maior conexão. Todo aquele discurso do Jack dizendo que eles estavam destinados a serem pais do Randall faz sentido quando você pensa nisso. Rebecca lutou para sequer amar o filho adotivo, mas quando seu coração se abriu pra ele nasceu um amor imenso. É como se ele fosse uma das suas missões, tinha que ser. E vimos também sua solidão chegando ao fim graças ao Facebook. Miguel não é um personagem que eu ame, mas cada pedacinho nesse quebra cabeças me ajudou a perceber como Rebecca merece seguir em frente e ser feliz.

Foi um ótimo episódio. Sem o peso do anterior vimos mais um pedaço do caminho dos nossos personagens queridos e como eles se transformaram no que são agora.

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