Daqui até a midseason finale de This Is Us teremos três episódios especiais, focados cada um em um membro do big three, Kevin, Kate e Randall.

E começamos com o numero um, o primeiro a nascer, o primeiro a andar, Kevin. E foi um episódio que eu particularmente estava esperando muito e não, não é só pelo fato de adorar Justin Hartley, mas por querer muito saber mais sobre ele, da sua personalidade, da sua vida, do seu intimo. E cara, amigos seriadores, Justin Hartley mandou muito bem segurando um episódio sozinho. Já havia visto o ator atuando nas duas camadas do Kevin antes. Ele foi o Oliver Queen de Smallville e o personagem era engraçado, mas as vezes passeava pelo fundo do poço também.

Mas enfim, Kevin. Como eu disse queria saber mais, as motivações do personagem pra ter caído tanto em tão poucos episódios e esse episódio me deu algumas respostas, principalmente a de que nem tudo nessa vida tem resposta. Ver Kevin adolescente, com tudo nas mãos, a ponto de ganhar uma bolsa para jogar futebol, mas incrivelmente insatisfeito me lembrou que depressão é assim na maioria das vezes. Vem sem aviso, quando tudo está dando errado, mas também quando tudo está certo.

E ai quando Kevin é obrigado a enfrentar um encontro de classe e a voltar para sua antiga escola que ele realmente se vê como uma fraude. Ele visivelmente estava ali alcoolizado, fora de si, deprimido e tudo o que as pessoas viam nele era o numero um, o astro, a celebridade, o cara gato com uma vida boa, enquanto por dentro ele gritava por socorro e definhava. O que ele dizia não condizia com o que carregava no olhar, na expressão, nos atos e ninguém estava escutando.

Pode parecer mimimi que alguém com tudo se sinta um fracasso, mas ai entra outra questão. Alguém realmente precisa de grandes realizações e posses para ser feliz? Sei que também pode ser bem clichê, mas é a mais pura verdade. E Kevin é a personificação disso. Ele tem objetivos, sonhos, muitos deles realizados, fama, família, amor, mas algo sempre o leva para o outro lado, o da perda. da carreira no futebol, do pai, da esposa, do joelho, perder a esposa de novo e o vício. É isso que martela na cabeça dele. É a tristeza e a depressão que acabam vencendo, mas ao mesmo tempo ele não consegue verbalizar. Então Kevin está o tempo todo dizendo que está tudo bem, fazendo uma piada, um comentário sarcástico e divertido pra enganar.

Passei o episódio meio desesperada, não sei vocês. Querendo que alguém aparecesse, Kate, Randall, Rebecca, qualquer um surgisse para olhar Kevin nos olhos e ver o que realmente estava ali, por que ele passou o episódio rodeado de estranhos que obviamente viam nele o astro, não o homem quebrado. E quase respirei aliviada quando ele percebeu que precisava de ajuda e correu para o irmão, quase, por que é lógico que alguma coisa aconteceria para empurrá-lo de volta a sua conchinha. Kate perdeu o bebê e ele como irmão e irmão gêmeo vai sentir isso de alguma forma profunda.

Foi um ótimo episódio, que disse muito sobre um personagem que passou a primeira temporada sendo mostrado de forma meio rasa, ficando de lado para que outros protagonizassem. E é claro que ainda tenho meus conflitos em relação a Kevin, mas com certeza o entendo melhor agora e em em muitos níveis me identifico com ele. Ele recebeu ajuda do pai até depois da sua morte, perder a medalhinha no momento em que cometeria um crime que poderia acabar com tudo foi providencial, Kevin vai se martirizar por perder a medalha e não vai perceber, mas foi. Só acho que falta um pouquinho de Rebecca na vida dele. Talvez seja nela que esteja a força que ele precisa no momento. Deixar os irmãos com seus problemas e receber da mãe um apoio. Quem sabe?

Vamos a numero dois. Kate

 

Kate perdeu o bebê e eu fiquei ARRASADA! Eu realmente tinha embarcado nessa e estava adorando essa fase tranquila, feliz da personagem, até por que na primeira temporada não consegui me conectar com ela. E eu deveria ter me preparado pra isso, pra esse choque de realidade que a série daria em todos nós.

Já que essa informação foi dada ao final do episódio anterior vimos aqui acontecer e nos concentramos na reação de Kate e Toby, principalmente de Kate a perda. E é claro que não seria boa! Ela passou por um ciclo em quarenta e cinco minutos, primeiro a negação. Que me fez de novo simpatizar muito com Toby. Como você ajuda alguém que não quer lidar com a situação? Como? Ele ficou perdido de uma maneira que talvez eu ficasse também.

Kate tentou e fracassou miseravelmente voltar ao que era antes de querer ter o bebê. Como se assim não fosse doer ter sofrido um aborto, como se sentimentos estivesse ligados a uma chavinha a ser virada no peito. É claro que não demoraria muito, horas na verdade, para ela sentir, pra cair sobre ela a realização de que mesmo querendo muito aquela gravidez havia chegado ao fim. Ai é claro que vieram aquelas perguntas, na verdade culpas, naturais. Ela fez algo errado, não se cuidou, seu peso foi a causa? Mas isso ainda bem que não tomou muito tempo, por que está além do que ela poderia ou não fazer, simplesmente aconteceu. O mais importante foi confrontar a si mesma com a dor da perda de alguém que ela ainda não conhecia. De estar ligada a aquele bebê e de repente ele não estar mais ali. Essas questões são muito mais interessantes ao meu ver. Até por que eu nunca tive um filho ou engravidei para entender o que é carregar uma vida. Se é exatamente assim ou um exagero.

Eu disse que Kate passou por um mini ciclo nesse episódio, certo? Pois bem, em certo momento ela voltou a ser aquela Kate da temporada que me incomodava bastante e em um instante de puro egoismo culpou Toby por sua dor. O culpou por ficar feliz por estar gravida, ignorando por completo que ele também estava perdendo um bebê, é claro que nas suas devidas proporções, mas também perdendo. Achei injusto descontar nele daquele jeito, até por que Toby não teria como saber o que aconteceria, muito menos culpa.

Ai para mim veio o mais interessante do episódio que foi usar esse momento para mostrar melhor o relacionamento entre Kate e Rebecca, como Kate tem uma dificuldade enorme em decepcionar a mãe e não sabe lidar com expectativas. Uma simples tentativa de admissão em um curso faria Rebecca se importar e automaticamente esperar algo dela e Kate preferia não lidar com isso, já que na cabeça dela daria tudo errado mesmo. Isso é algo que ela levou para a vida adulta e para a sua relação com Toby. Perder um bebê esperado seria o mesmo que roubar algo do noivo… na cabeça dela, é claro. Foi nesse momento que mais simpatizei com o drama dela. Pois também sou do tipo que prefere contar as coisas depois que já deram certo.

Ai foi importante ver como Rebecca soube o que fazer e como fazer. Ela vem entendendo melhor e cada vez mais os sentimentos da filha em relação a ela e em vez de jogar seus sentimentos em cima dela só deu o seu ombro, o seu abraço pra Kate chorar. Adorei ver as duas se resolvendo mais uma vez. Por que confesso que acho uma grandessíssima merda essa mania que as histórias tem de achar que os problemas das meninas vem da mãe competidora. Sinceramente! E nunca consegui ver na relação das duas um problema, não quando Rebecca era só amor e apoio pela filha. Pra mim era um problema bem forçado.

Foi um episódio bom? Foi, mas ao contrário do episódio do Kevin em que algo novo e realmente significativo aconteceu, aqui não foi tão grande. Não sei! Talvez seja por que vi um após o outro e ainda estava com a cabeça lá no Kevin. Mas me digam ai, o que acharam? Certo!

Deixo This Is Us e vocês com a Mariana, que volta a partir do próximo episódio. Valeu a todos que leram e beijos.

 

 

 

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