This is Us voltou nesta última terça, 09/01, e o tema da semana aterrissou muito, mas muito perto de mim, amigos. Portanto, já aviso que essa review será um pouco mais pessoal. Na última, onde falei sobre o episódio 2×10, comentei que era possível se relacionar um pouquinho com cada personagem. E no 2×11 eu me vi em cada um dos Pearson, mas principalmente naquele que eu achei que não tinha nada a ver comigo: Kevin.

Neste episódio Kevin está há um mês na clínica de reabilitação e toda a família é convidada a uma sessão de terapia. O flashback vem para ilustrar o que é discutido nesta sessão. Os Pearson são obrigados a dizer coisas que guardam há muito tempo, a terapia parece até fugir do controle, mas parte do que precisava ser dito o é. E eu nunca fui tão representada num momento de seriado como dessa vez.

Estou bagunçando tudo, mas vou organizar.

Vamos ao fato de que me dei conta que me pareço com Kevin. Em que aspectos, você pergunta? Definitivamente não em ser homem, branco, óbvio. É em ser o irmão mais velho. Sim, sei que o Grande Trio tem a mesma idade mas, sem querer, Kevin sempre assumiu esse papel.

Eu sou a irmã mais velha. Quando Kevin descreve como ele se sentia enquanto Rebecca e Jack “cuidavam mais” de Kate e Randall, eu entendi perfeitamente o sentimento. Apesar de eu ter sido sempre acima do peso e ter sofrido muito bullying (Hello, Kate!) e também ser razoavelmente inteligente e tirar boas notas, (Hello, Randall!), o fato de ser a mais velha pesava bastante. Eu era independente e achava que meu irmão mais novo recebia muito mais atenção. Aquela coisa: ele é o caçula, gostam mais dele. E Kevin chega a dizer que Randall era o favorito de Rebecca. Como Randall, meu irmão tinha outros problemas também. Ele não é uma criança negra adotada por brancos, mas mesmo assim precisava de mais atenção. Acho que uma vez minha mãe chegou a dizer que eu não precisava do mesmo tipo de atenção que ela dava a ele. Eu sabia me virar, simplesmente isso.

E como se o seriado estivesse reproduzindo uma conversa minha com ela, Rebecca diz praticamente a mesma coisa para Kevin, na sessão de terapia. Até o que ela diz sobre o primeiro dia dele no Jardim de Infância, foi meu primeiro dia no Jardim de Infância. Enquanto outras crianças se agarravam às mães, Kevin e eu entramos de uma vez na escola, sem sequer olhar para trás. Rebecca diz isso, desse jeitinho. Minha mãe me contou isso. Desse jeitinho. E enquanto nossas “versões crianças” achavam que faltava alguma coisa, nossas mães apenas pensavam que não precisávamos delas tanto assim. Que coisa louca!

Então vem Randall, com uma alegoria linda, que faz muito sentido. Aliás, os roteiristas estão dando alegorias muito legais para ele. Randall fala sobre como era antes dele fazer o exame de vista para os óculos e como ele viu o mundo de muitas formas diferentes em poucos minutos. Diz que cada um de nós enxerga por uma lente diferente. O que é a mais pura realidade. Se eu perguntar ao meu irmão, ele provavelmente vai dizer que eu ganhava toda a atenção, por ser inteligente ou algo assim. Se eu perguntar à minha mãe, ela dirá que sempre nos tratou do mesmo jeito. Nós vivemos quase as mesmas coisas e enxergamos o mundo de formas completamente diferentes.

Mas é claro que nem tudo é igual entre mim e Kevin. Nunca demandei atenção da mesma forma, nem me envolvi com álcool ou algo assim. Nesse aspecto, sempre fui Randall. Mesmo assim o coração apertou. E como apertou!

Além disso, tem Jack, é claro. Até nisso o Grande Trio e eu somos parecidos. Perdi meu pai aos 16 anos. Eles aos 17. Aí temos uma diferença. Eu consegui trabalhar bem meus sentimentos quanto a isso e consigo falar sobre essa perda. Também sempre tive em mente que meu pai não era perfeito. E às vezes, quando minha mãe conta alguma coisinha, que eu consigo interpretar com minha visão adulta, percebo que não era perfeito mesmo. Então, mais uma vez, entendo porque Rebecca não quis falar muito sobre Jack depois de sua morte. Como ela disse, não quis “colorir” as lembranças dos filhos com alguns detalhes.

E depois de toda essa conversa franca e dos pedidos de desculpas, os Pearson (e nós também) terminam o episódio de maneira mais leve. Até Kate revela algumas verdades que esteve escondendo de Toby. A família está pronta para começar um novo capítulo. Vamos juntos.

 

 

 

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